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sexta-feira 19 Janeiro 2018
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André, a simplicidade

Estátua do apóstolo André na arcada do Santuário Nacional de Aparecida

Agora o leitor já está quase diante do santuário. É possível que, no fluxo do vai e vem das pessoas mais apressadas em alcançar o acesso à visitação da imagem da Imaculada surgida das águas, André passe um pouco desapercebido.
No quinto passo da arcada, se encontra um dos maiores símbolos de simplicidade existentes em toda a arcada dos mercurianos. Algumas imagens se aproximam muito do Cristo em seus atributos e até na aparência física. André abraçado à sua cruz é uma delas. Ele não usa as vestes como os outros apóstolos, mas está enrolado em um tecido que apenas cobre a parte inferior de seu corpo.
O pano confeccionado pelos dons humanos – que pode ser motivo de ostentação e vaidade – aqui está em uma peça única, refletindo o dom do tecer, mas desprovido da moda criada pela mentalidade capitalista, pelo valor das etiquetas ou pelo orgulho do trato dado ao tecido.
Envolvendo somente a parte inferior, lembra a saída do paraíso e a necessidade do corpo estar coberto e protegido, após ter perdido sua ligação maior com o Divino, motivo este que impulsiona o caminhante pela trilha da arcada. O tecido alcança o braço direito da razão e do mundo material, quase atando o movimento, enquanto que o lado esquerdo se inclina livre para abraçar a cruz. Mesmo assim, a mão direita ainda serve de apontamento para o próximo passo, na direção de Pedro, senhor das chaves e dos desafios da carne.
A cruz de André não é talhada, seu tronco é simples. Não possui a altura da cruz do Cristo, mas sim a sua própria altura e condição de humilde. André, além de estar presente com o Mestre, coordenar e direcionar estratégias para a movimentação do grupo de apóstolos em um mundo de riscos, não se importava em se destacar nos discursos ou pregações.
Sua imagem revela um corpo que se alimentou com o necessário e também trabalhou no mundo material. Seu peito esquerdo toca a cruz em uma entrega ao servir e a força de quem foi tocado pelo Verbo Solar.
Este símbolo surge na arcada para questionar o peregrino sobre a questão de seus bens, momento oportuno para relembrar a parábola do jovem rico.
“Eis que alguém se aproximou de Jesus e lhe perguntou: ‘Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?’
Respondeu-lhe Jesus: ‘Por que você me pergunta sobre o que é bom? Há somente um que é bom. Se você quer entrar na vida eterna, obedeça aos mandamentos.’
‘Quais?’, perguntou ele.
Jesus respondeu: ‘Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo.’
Disse-lhe o jovem: ‘A tudo isso tenho obedecido. O que me falta ainda?’
Jesus respondeu: ‘Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois, venha e siga-me.’
Ouvindo isso, o jovem afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.
Então Jesus disse aos discípulos: ‘Digo-lhes a verdade: dificilmente um rico entrará no Reino dos céus. E lhes digo ainda: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.’
Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram perplexos e perguntaram: ‘Neste caso, quem pode ser salvo?’
Jesus olhou para eles e respondeu: ‘Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis.’
Então Pedro lhe respondeu: ‘Nós deixamos tudo para seguir-te! Que será de nós?’
Jesus lhes disse: ‘Digo-lhes a verdade: por ocasião da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do homem se assentar em seu trono glorioso, vocês que me seguiram também se assentarão em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todos os que tiverem deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por minha causa, receberão cem vezes mais e herdarão a vida eterna. Contudo, muitos primeiros serão últimos, e muitos últimos serão primeiros.’” Mateus 19:16-30

 

Por Cláudio MariottoTerapeuta