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terça-feira 23 Janeiro 2018
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Fé e Razão

Novo Ano: ânimo novo, confiança e esperança

Janeiro (ianuarius), em latim) é o mês da ianua ou da porta. Por ela entramos em novo ano.E entramos pela enésima vez, em nossa trajetória terrestre. Já sabemos algo do que costuma acontecer em janeiro, em fevereiro, em março… Em conseqüência, muitos antigos e modernos falavam e falam do eterno retorno das coisas, retorno insípido e fastidioso, destituído de sentido; chegavam mesmo a comparar os tempos a uma serpente que se encaracola, mas cuja cabeça acaba mordendo a cauda; tudo retorna ao que era, apesar de muitas voltas dadas e muitas labutas sofridas.
Não é tal o pensamento cristão. O tempo, para o cristão, é assemelhado a um cone que e abre. Na ponta esquerda desse cone está o primeiro Adão; este, conforme São Paulo, já era a imagem do futuro Adão ( Rm 5,14), do grande Adão, que encabeçara toda a humanidade e a apresentará ao Pai, após vencer o último inimigo, que é a morte (1 Cor 15,24-28).
A história é cada vez mais densa e rica na medida em que o cone se abre e se aproxima de sua configuração final.
Por isto nós, que entramos em novo ano, embora nos aprestemos a viver muitas das realidades já vividas em anos anteriores, haveremos de vivê-las de maneira nova, porque seremos abraçados pela novidade do futuro que se faz sempre mais presente; seremos mais maduros, mais experimentados e, por isto, capazes de fazer do velho e rotineiro algo de novo. Sim. Somos nós que faremos os tempos, não são os tempos que nos fazem. Nós damos a marca a cada um dos nossos tempos.
Os historiadores registram que sempre os homens julgaram ingratos e inclementes os respectivos tempos. Isto acontece ainda hoje; “os tempos são maus”, ouve-se dizer. Pois bem; podemos dar novo matiz aos nossos tempos, nem sempre recorrendo a dinheiro e maquinaria, mas sempre colocando dentro dos tempos algo que e acha em cada um de nós, isto é, um ânimo novo.
A propósito vêm belas palavras de Dom Hélder Câmara: “ Aprende com as ondas…recua, mas para voltar, para insistir, sem cansaço, sem desistência, noite e dia, enquanto a mão divina não der sinal e tiver sido atingida a plenitude das grandes águas vivas”.
Que o novo ano reavive em cada pessoa a chama do ânimo, confiança e esperança!

 

Por José Pereira da Silva – Professor de História

30/12/2017