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sábado 25 abril 2026
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Fé e Razão – A gratidão: aprender a ver os presentes de cada dia

O poeta Augusto dos Anjos ( 1884-1914) dizia em Versos Íntimos: “ A mão que afaga é a mesma que apedreja”. A dualidade na vida do ser humano. O ser humano pode ser grato ou ingrato.

A gratidão é a estima para com aqueles que fizeram algum benefício. É o amor que leva à verdadeira gratidão, abrindo a alma para os outros num anseio de entrega. Jamais permita que a ingratidão te faça parar de fazer o bem.
A ingratidão não e apenas aquela que recebemos dos outros: tem a ingratidão para consigo mesmo. Ela pode vir de nós mesmos. Pessoas que estão sempre reclamando da vida, olhando apenas para o que não possuem e ignorando todas as conquistas que já alcançaram, estão sendo ingratas consigo mesmas.

Esse é o comportamento a ser evitado porque mantém o foco todo nas ausências, ignorando as presenças , as alegrias, a felicidade. Ser grato consigo mesmo e com a vida é a melhor forma de atrair cada vez mais coisas boas. Obviamente, sem fugir dos problemas e ignorar sua existência, apenas enxergando além deles.

Ter a disposição de agradecer a Deus. Agradecer às outras pessoas e a si mesmo. Aprender a valorizar cada pequeno instante de felicidade em vez de condicionar sua satisfação a grandes fatos e feitos.

Aprender a ver os presentes de cada dia pode tornar as pessoas mais satisfeitas e felizes. Ter gratidão é dar ação de graças. É uma prática simples que precisa ser valorizada.

A gratidão é uma virtude humana, uma disposição interior. É uma virtude que se trabalha. São três os momentos de gratidão: reconhecer o benefício, sentir a emoção que dele deriva, agradecer, concretizando uma ação.
A gratidão posta em prática traz equilíbrio ao ser humano pois nela está presente: a inteligência, a afetividade e a vontade. Não é a felicidade que nos insere na gratidão, mas a gratidão que nos insere na felicidade. A gratidão é um louvor à existência.

Numa sociedade de acentuado individualismo, com traços do narcisismo, egoísmo e egolatria muitas vezes a gratidão e a doação ficam no segundo plano. Infelizmente a troca utilitarista deixa pequeno espaço para a gratidão. O que prevalece geralmente é a lei da utilidade, é a gratidão está na ordem da gratuidade.

A gratidão é uma capacidade interna de receber e valorizar o que é bom, em contraste com as dificuldades e problemas da vida. A gratidão permite com que a pessoa se reconcilie com sua vida e suas carências. Ela também favorece a esperança e criatividade, e a capacidade de buscar e encontrar sentidos. A gratidão revela capacidade emocional.

Prof. José Pereira da Silva