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sábado 18 novembro 2017
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Coluna do Crisante

Aqui têm loucos também

Já dizia o saudoso escritor João Ubaldo, o contador de histórias tem que sair pelas ruas e ouvir o povo. VerÍssimo também faz o mesmo comentário, e para ele o cotidiano nos apresenta histórias maravilhosas.
Como gosto de ler as crônicas do escritor Luis Fernando Veríssimo. “ A Crônica da Loucura” foi uma de suas publicações que mais me chamou a atenção tempos atrás.
Como escritor e contador de história, não poderia deixar de apreciar a coletânea de crônicas deste renomado escritor.
Ele narra uma passagem que transcorreu na sala de terapia, onde um cidadão ficava observando seus colegas loucos e concluiu que existem dois tipos de loucos: o louco propriamente dito e o que cuida do louco, a exemplo do analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra.
Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de alguns loucos todos os dias, meses, anos … Se não era louco, ficou.
Contou Veríssimo que durante quarenta anos passou longe deles. Até que: “Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal”.
Verissimo diz que o melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os colegas loucos na sala de espera.
“Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco”.
Segundo ele, ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. “E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses”.
Veríssimo acha que todo escritor gosta desse brinquedo, por se tratar de um elemento criativo. E a sala de espera de um “consultório médico” é um prato cheio para um louco escritor .

PSIQUIATRA TAUBATEANO
Nessa loucura da vida, pegando um gancho nessa obra de Veríssimo ,vou contar uma passagem que ocorreu aqui em Taubaté.
Tempos atrás, um médico psiquiatra prestava atendimento a um dos presídios de nossa cidade que consagrou Júlio Guerra (O homem da terra) e tantos outros malucos que por aqui passaram, sem contar com os atuais doidos que por aqui circulam diariamente pelas ruas da cidade.
Na saída da penitenciaria, o médico foi abordado por um de seus pacientes, que correu até o seu veículo e disse:
_Doutor, o senhor já me receitou vários tipos de remédios e a minha dor de cabeça não passa. O que o senhor vai me receitar agora?
O médico desceu do seu carro, pegou sua maleta, colocou no capô, chamou o presidiário e disse:
_ Levanta sua cabeça, feche os olhos que eu vou te medicar.
O médico retirou da maleta um comprimido de analgésico. Em seguida, colocou na testa do cidadão e selou com um esparadrapo, em forma de cruz. Prosseguindo , disse ao paciente:
__Agora você vai ficar bom .É questão de tempo! .
O médico entrou no carro, bateu a porta, e disse:
_Fique tranquilo que a dor de cabeça vai passar…
O paciente, que era muito maluco, foi até a porta do carro e disse alto e em bom som:
_Doutor, o senhor é muito louco, também. A diferença entre o senhor e “nóis” pacientes é que o senhor tem a chave para entrar e sair do manicômio e “nóis” não tem.

Frase da semana: “Mire no sol, se errar, estará nas estrela”. (O Profeta Hernandes, atleta do São Paulo F.C.)

 

Por Oswaldo Crisante Xavier dos Santos

11/11/2017