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terça-feira 23 Janeiro 2018
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Coluna de Cinema

20/01/2018

Correndo Atrás de um Pai

Nessa época entre fim e início de ano é o período em que mais filmes “good vibes” aparecem nas salas de cinema. As férias escolares no mundo todo atraem um público maior e menos exigente, que só quer se divertir enquanto assiste algo. Exatamente nessa proposta se encaixa Correndo Atrás de um Pai.
Comédias com Owen Wilson já são amplamente conhecidas por seu estilo padrão de ser. A parceria da vez é com Ed Helms que, embora entregue um bom personagem e, por muitas vezes, chama até mais a atenção que o próprio Wilson, a dupla acaba ficando devendo na química em cena. Vivendo irmãos gêmeos, essa falta de cumplicidade até tenta ser explicada pelo roteiro que insiste em contar que os irmãos nunca foram muito próximos, mas algo fica realmente desencaixado entre eles.
Apesar de contar com momentos divertidos, o filme não chega a ser engraçado nem quando se esforça muito. O riso acaba escapando momento ou outro como forma de extravasar certa vergonha alheia das situações mostradas, não pelas piadas forçadas. Aliás, forçados também são os subgêneros pretendidos pelo roteiro que migra da comédia pastelão para um drama familiar dentro de uma roadtrip bem previsível. Embora fraco, o filme ainda tem boas interpretações individuais, sub tramas interessantes e consegue passar alguma mensagem bonita por trás das brincadeiras e pretensões. Até uma reviravolta é encaixada na trama como forma de pegadinha, o que acaba sendo a melhor tentativa do roteiro, mas, infelizmente, não se sustenta por muito tempo. A direção de Lawrence Sher passa desapercebida, bem como a fotografia que aposta no seguro.
Típica “dramédia” de férias, Correndo Atrás de um Pai cumpre bem o papel de oferecer duas horas leves e descompromissadas de clichês e diverte o público que não procura por nenhuma obra de arte, ainda que não tenha força suficiente para ser lembrado por muito tempo depois de ser assistido.

 

Por Giuseppe Turchetti