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quarta-feira 22 novembro 2017
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O contador de histórias – O peso da bola

Por Oswaldo Crisante Xavier dos Santos

 

Nos bares, botecos e nos campos de futebol são locais em que encontramos muitos amigos. São ambientes propícios a um bom bate papo,  onde se  ouve e  conta-se muitos causos.
Contou-me João Luiz que sempre estava com Ney Bola, em frente de sua casa, no bairro da Estiva, no tempo que ainda eram garotos. Sempre passava por ali o Dito Martelo, que tinha muitas histórias pra contar. João Luiz e Ney Bola combinaram de chamar o Dito. E para atraí-lo, João disse:
__ Eu tenho uma passagem interessante pra te contar, Dito!
E, o dito foi receptivo e ouviu atentamente. Vamos lá!
Houve um jogo no campo que existia ao lado do forró do Cascudo, perto da vargem, depois do Parque Ipanema. Faltava um jogador para completar uma das equipes na “pelada”, e  convidaram um aleijado por nome de João, apelidado de  “Deixa que eu chuto”. Ele entrou só para fazer número na ponta esquerda. E, de vez enquanto, a bola chegava até ele, e com apoio da sua muleta fazia o passe para o companheiro de sua equipe. Até que cruzaram uma bola da direita que encobriu o zagueiro e também o goleiro. João não pensou duas vezes, levantou sua muleta e fez um golaço.
O juiz já tinha apontado o meio de campo , quando o time adversário fez a reclamação, dizendo que o jogador usou a muleta no lugar da mão, sendo assim, o gol foi de mão. Não restou alternativa a não ser o árbitro anular o gol.
Os jogadores do time que fizeram o gol correram até o juiz e pediram uma explicação. Ele, então, chamou o capitão da equipe e questionou:
__ Ele usou a muleta no lugar da mão ou do pé?
E os jogadores gritaram em coro:
__ Do pé !
O juiz levantando um dos braços e apontando para o lado, esbravejou:
__ Pois, então , é falta! São dois toques contra seu time, foi pé alto e  jogo perigoso. Está anulado o gol!
Dito, ao ouvir a história retrucou:
__ Já joguei nesse campo e a lembrança não foi das melhores. Já estava escurecendo quando eu fui bater um escanteio e  escorreguei, quase cai na valeta.
Ele relatou que naquele instante um menino tirou a bola do jogo e colocou uma bola de ferro na marca do tiro de canto. Sem perceber, ele correu e chutou a bola de ferro. Foi um estrago, e Dito foi levado para o hospital Santa Isabel . Na enfermaria, o ortopedista disse ao ver o seu  pé:
__ Nossa senhora, tem vários ossos quebrados. Vamos dar uma anestesia e fazer uma intervenção cirúrgica.
Nesse momento, Dito começou a rir. O  médico ficou espantado com a atitude do paciente, e  perguntou:
__ Você está todo escangalhado e ainda está sorrindo,  por quê?
E, o Dito respondeu:
__ Tô rindo do centro avante que cabeceou a bola!