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sexta-feira 19 Janeiro 2018
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República da Língua Grande: O Império, greve, pintura de escolas

Dom Pedro II

O pessoal da República da Língua Grande, depois da feijoada, da cerveja, da branquinha, retornou aos anos de 1880, ao Rio de Janeiro.
Dom Pedro II, depois de um encontro secreto com madame Janifferi; após os amassos, abraços, os beijos, os apertos e a explosão do coração, resolveu aumentar um vintém o preço das passagens dos bondes. O projeto de tal medida saíra do gabinete liberal do Visconde de Sinibu, juntamente com a péssima licitação, cheia de erros, escrita pelo deputado Rogério, dono de uma firma chamada Cital, que ficava lá para os lados da Wintherlândia.
Essa licitação tinha por objetivo a pintura do Colégio Pedro II e outras escolas, apresentando, na sua elaboração, doze erros absurdos, coisa de quem se afastara do mundo da alfabetização.
O povo revoltou-se contra o aumento da passagem dos bondes e a pintura das escolas. Os republicanos Lopes trovão, Vicente de Souza e a República da Língua Grande, organizaram uma passeata até o Palácio da Boa Vista, tentando uma audiência com o imperador.
As tropas do imperador avançaram contra os manifestantes, utilizando todas as armas da época. Hélio Morotti, um dos heróis do “vai quem quer” tomou meio litro de nescau recuando-se a cem km por hora; Baltar correu na velocidade de um fusca; Paulo desapareceu no meio do povo.
Na Praça da Bandeira, local usado para manifestação contra o Império, Lopes Trovão, Vicente de Souza, os representantes de Taubaté, instalados na zona de Ritinha Batalhão, redigiram um documento a D. Pedro II, solicitando-lhe uma audiência, comandada pelo Pedrinho engraxate, famosíssimo nas terras de Jacques Félix.
Dizem as más línguas que a audiência fora marcada. D. Pedro II, o deputado Rogério, autor do projeto da pintura do colégio D. Pedro II, os republicanos mais salientes da época, os republicanos da língua grande, e os puxa-sacos do império participaram. Debateram, justificaram, criticavam, confrontaram ideias lógicas e absurdas.
Procurando estabelecer a calma no ambiente, Pedrinho engraxate, usando sua garrafa térmica famosa, ofereceu café a D. Pedro II, deputado Rogério, e Conde D’Eu. O que saiu da garrafa, milagrosamente, levaram os três a um desmaio momentâneo. No entanto, como em toda reunião, o nada deu em nada. No dia 1 de janeiro de 1881, data marcada para a cobrança do imposto e término do processo licitatório da pintura do Pedro II, o mestre Vicente fez um discurso no Largo do Paço, levando o povo ao delírio.
Disse mestre Vicente: – O vintém a mais será gasto para cobrir as viagens de D. Pedro II. Com esse vintém, com certeza, pagaremos o olhar do imperador diante das Pirâmides do Egito, pagaremos os pés do imperador nos salões de baile de Viena, deslizando como plumas dentro da garganta do povo brasileiro. A pintura do Colégio Pedro II deveria ser entregue a uma companhia especializada, não à Cital do Deputado Rogério, incapaz de consertar o andador da princesa, coisa que o Empório lá do Norte, fez em meia hora.
O povo virou bondes, queimou montanhas de lixo, levantou pedaços de pau, barras de ferro. A greve causou a queda do ministério e a revogação do aumento da passagem. No canto da Wintherlândia, o deputado Rogério, da Monarquia, gritava: “A pintura era o projeto da minha vida”, isso está gravado.
A coisa foi amenizada com a chegada da República da Língua Grande de Taubaté que, com o bom coração de Pedrinho, serviu café a D. Pedro, Deputado Rogério e todo o ministério decaído, tombado, desqualificado, anulado num balde de geleia cósmica…

Por Prof. Carlos Roberto Rodrigues

16/12/2017