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sexta-feira 19 Janeiro 2018
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Pedro, a chave do infinito

Este é o passo na arcada que considero crítico. Encontramos Pedro um pouco antes do meio-dia e com ele a chave do infinito. Envolto em um pano simples, suas vestes não trazem adornos ou detalhes maiores que a flor-de-lis na barra de sua túnica.

A flor-de-lis representa a virgindade de Maria e a pureza do anjo Gabriel, a presença da trindade Pai, Filho e Espírito Santo e também tornou-se símbolo do sexto filho de uma família. Perceba que estamos no sexta coluna.

A chave na mão esquerda é dual em sua composição e trina com o círculo do cabo. A trindade também está representando o Divino em manifestação no plano material e, com esta informação, o mistério deste símbolo maior.

Em algumas esculturas e pinturas, Pedro apresenta duas chaves. Uma prateada e a outra dourada. Assim como a dualidade entre sol e lua, elas representam os dois principais nadis mencionados pela Ayurveda: Ida e Pingala – canais responsáveis pela subida dual da energia pela coluna vertebral, a consciência desta presença desperta o ser para sua evolução espiritual.

Na chave de Pedro encontramos este símbolo mais elaborado. Com o símbolo da trindade  combinado com o infinito, a manifestação do universo se dá continuamente pela emanação do amor. Pai celeste e Mãe orgânica se unem para o nascimento da matéria. Na dimensão maior, a presença do amor gera a harmonia entre os opostos e a possibilidade da criação ser parida em luz.

Mas o que isso tem a ver com este sexto passo? Qual a ligação com esta chave e por que este momento é crítico nesta jornada?

Porque é neste ponto que estamos diante da questão da distorção do amor. O momento no qual necessitaremos olhar para nosso princípio humano. Olhar também para o mundo que nos cerca e encarar a face que surge quando este sentimento sagrado é distorcido e desce em abismos profundos. Quando o amor é deformado e se converte em luxúria.

Maurício Horta, jornalista e escritor, em seu livro “Luxúria” relata como ela mudou a história do mundo. “O sexo já andou de mãos dadas com a religião: transar fazia parte de cultos. Mesmo assim, as leis contra o adultério são tão antigas quanto a civilização, e bárbaras como se civilização não houvesse. E a prostituição já foi tão importante que chegou a ser estatizada.”, comenta ele.

O assunto é muito sério em uma jornada de autoconhecimento, ainda mais se analisarmos que: “Foi por causa da luxúria que: os gregos consideraram a relação entre homens superior à entre homens e mulheres; os hebreus criaram o conceito de pecado; até papas descumpriram seus votos de castidade; as mulheres foram tão estigmatizadas e perseguidas; o Brasil virou um país miscigenado; trouxeram o carnaval para cá; foi criada a pílula anticoncepcional; a pornografia virou uma indústria bilionária; o Tinder faz tanto sucesso.”.

O momento é oportuno para que o buscador se questione diante dessa chave: quanto de amor distorcido você carrega dentro de si?

A luxúria da humanidade nos levou para muito além da pureza do símbolo da flor-de-lis. Eis a chave: a recuperação do amor! No entendimento da presença do sagrado feminino e masculino em nós, na harmonização interna destes opostos, se inicia a compreensão do símbolo do infinito. A centelha divina que resplandece desse encontro, revelando o terceiro elemento da trindade dentro de cada coração.

É o desenvolvimento do contemplar da presença sagrada no corpo como templo da alma. É entender que estando prestes a encontrar o Cristo no auge do meio-dia. O amor necessita estar presente, a consciência desperta na luz e o coração transbordante de amor!

Você já possui a chave para este encontro?

 

Por Cláudio MariottoTerapeuta