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domingo 18 Fevereiro 2018
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# B.V. – O amor está no ar!

# B.V. – O amor está no ar!

Foi-se o tempo do flerte, namoro, noivado e casamento. Na evolução das modalidades de relacionamento, com o passar do tempo, apareceram: “Tamo ficando”; “A gente tem um rolo”; “Tenho um P.A. de quinta feira”; “A gente só tá se pegando”; “Eu tenho um apego” e muito mais.

A nova onda é: “Tenho um crush” (esmagamento em inglês), mas, na gíria da galera, significa ter uma quedinha ou paixonite por alguém. O fato é que neste mundo, com a liberdade sexual descendo até o chão (pois dançar na boquinha da garrafa já caiu faz tempo de moda), as relações estão cada vez mais líquidas, como diz Zygmunt Bauman.

Vivemos a época de uma liberalidade absurda e descomprometida, todavia o sentimento de posse ainda prevalece. O rapaz ficou com a moça, se pegaram, depois de um tempo virou um rolo, porém nada está combinado sobre fidelidade. Após uma fase de uso e abuso, o boy magia deixa a poderosa em casa e cai no mundo. A rainha da tequila nem imagina que o rapá está aprontando, pois foram vistos tantas vezes juntos que a geral já está shipando o casal.

Em outra balada ele começa a pegar geral, só que, para o azar dele, a miga dela está na mesma vibe e toca o celular para a destruidora que ficou em casa: “Miga!!! Corre aqui que seu boy tá solto na pista!”. E então, ela já manda avisar as outras poderosas (menos a Anita) que ela está indo para fazer o “B.V.”.

Na mesma hora, os celulares das amigas já receberam o zap anunciando que o B.V. vai acontecer e que todas devem estar lá para baterem a foto e bombarem nas redes sociais. Ela chega rapidamente no local, totalmente produzida em outro modelito, toma algumas tequilas e começa a dançar longe do ficante.

Logo ela é abordada por outro mano. Beijos aqui, mãos ali e ela sugere uma escapadinha até o banheiro da balada. Lá rapidamente consegue uma relação oral e, enquanto o rapaz acaba de se vestir, ela cruza o salão e beija o ficante, surpreendido, na boca. Imediatamente as migas batem as fotos e ela sai vitoriosa da balada, apoiada pelas popozudas, por ter dado o Beijo da Vingança.

Caso o leitor esteja pensando que isso é acontecimento raro, está muito enganado. Só no ano passado registrei oito “beijos da vingança”, sendo que duas autoras até as fotos me mostraram. Para este carnaval, outros três estão prometidos. O mais assustador é que agora a versão masculina já está entrando nas baladas. E não pense que isso é prática de baile funk de periferia. Está acontecendo em qualquer ambiente noturno.

Em detalhe final, nenhuma das narrativas veio de mulheres de baixa renda, adolescentes ou mulheres de pouca cultura. Elas são de classe média alta, têm nível superior e cabelos bem tratados nos salões caros de Taubaté. O que leva a crer que, no requinte da vingança, a high society também desce até o chão e não tem medo de tapa na cara.

Para você que irá brincar no carnaval e tem um relacionamento sério, muita atenção: brinque direito!

 

Por Cláudio MariottoTerapeuta

10/02/2018