O narcisismo atua em algo profundamente humano que é a necessidade de reconhecimento. O narcisista tem uma profunda insegurança que exige ser o tempo tudo aprovado e reconhecido. É patologicamente inseguro.
Nossa sociedade é narcisista principalmente numa época das redes sociais. Em nossa sociedade a nossa posição, o nosso valor e até a percepção que temos de nós mesmos depende do olhar do outro. O narcisismo não é o que o senso comum pensa, ou seja, muita vaidade e egoísta. Todo ser humano tem um grau de narcisismo que é a base na qual o ego se constrói. Importante para a formação da subjetividade. Jacques Lacan (1901-1981) no estágio do espelho ressignificou o narcisismo. Decorre da mudança da relação com a imagem.
O narcisismo se transforma em patologia quando entra em conflito com ideais culturais e éticos, tornando-se excessivo e dificultando as relações normais do indivíduo no meio social.
O narcisismo aponta que as pessoas tentam corresponder aquilo que os outros esperam e pensam de nós. Se de um lado precisamos do olhar do outro para nos reconhecer pode também ser uma prisão.
Vivemos na sociedade das aparências, das disputas e da propaganda. Não importa se essa imagem é falsa, corrigida pelo computador, ou enfeitada por palavras enganosas.
O que vale é estar na frente. Exageros com os adjetivos superlativos. Os chamados campeões não aceitam comparações. A distância que separa a glória do desespero e da depressão está se tornando curta demais.
Estamos exagerando e estamos perdendo o bom senso e a consciência das nossas limitações humanas. Por isso que a humildade é uma grande virtude.
Vivemos em uma sociedade que promove comparações constantes. Somos expostos a padrões que nos dizem quem devemos ser, o que devemos possuir e como devemos agir para sermos aceitos ou admirados. As redes sociais, ambientes profissionais se tornam arenas de competitividade, onde o valor de uma pessoa é medido em relação ao que os outros possuem ou alcançam. Esse ciclo de comparações alimenta a insatisfação e pode levar a perda da identidade. Uma cultura da comparação. A autorreferencialidade que alimenta o narcisismo.
O consumo requer publicidade, e a publicidade requer narcisismo, um narcisista sucumbe mais facilmente à manipulação insinuante. Um narcisista pode ser apanhado facilmente pela adulação. Os narcisistas carecem do necessário espírito autocrítico, do autocontrole ou do feedback crítico que o nosso ambiente circundante nos transmite a cada momento.
A percepção é abafada e distorcida pela auto imagem ilusória. Se afogam na admiração a si próprios. Os narcisistas são superficiais e vazios por dentro: esperam tudo de fora , da avaliação e da admiração dos outros.
O amor-próprio é a forma pela qual se compensam da sua tristeza não reconhecida por não serem realmente amados nem serem capazes de amar. Temem o amor, sentindo que este lhes exigiria muito, preferindo exigir admiração a exigir amor.
Os narcisistas desgastam-se com sua vã atividade centrada em si próprios e as suas batalhas para granjear mostras de apreço que apenas os satisfazem por um breve espaço de tempo, e vão se tornando cada vez mais fracos. Não conseguem aguentar a si sós.
Os narcisistas tem horror dos espelhos. Só querem espelhos mágicos, como o da rainha má da história da Branca de Neve, que apenas responderão às suas perguntas asseverando-lhes que eles são magníficos. Se o espelho mágico se avariar e se transformar num espelho real, veem-no como o rosto da medusa: a verdade já não os liberta, paralisa-os, transformando-os em pedra. O culto ególatra do próprio eu.
Prof. José Pereira da Silva














