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sábado 15 agosto 2026
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Fé e Razão – Crise de sentido: o afastamento de si mesmo e a reconstrução da identidade

Fé e Razão – Crise de sentido: o afastamento de si mesmo e a reconstrução da identidade

A sociedade vive muitas crises e uma delas é a crise de sentido principalmente existencial.
Vivemos em uma época marcada por profundas crises de identidade. A sociedade atual, com seus valores mutáveis, nos bombardeia com expectativas inalcançáveis sobre quem deveríamos ser, como deveríamos nos comportar, o que devemos conquistar. Redes sociais, programas de Tv, padrões estéticos e modelos de sucesso são impostos desde cedo, como se houvesse um roteiro ideal de vida que todos tivessem que seguir. O que o sociólogo Zygmunt Bauman ( 1925-2017) chama de modernidade líquida, em que tudo muda rapidamente, inclusive as relações humanas e a percepção de si mesmo.

Segundo o psicólogo Viktor Frankl (1905-1997): “ sonhamos que bastava progredir as condições socioeconômicas de uma pessoa para que tudo caminhasse bem, para que ela ficasse feliz.
A verdade é que a luta pela sobrevivência não se acaba, e ponto. De repente brota a pergunta: Sobreviver ? Mas para quê?. Em nossos dias um número cada vez maior de indivíduos dispõe de recursos para viver, mas não de um sentido pelo qual viver”.

Podemos falar em lugares de sentido tais como: a liberdade, sem ela não se pode falar no surgimento do sentido; a identidade, quem sou? Tenho sentido?; o destino, o que posso fazer de minha vida?; a esperança, o sentido está no extremo dela ou ela é apenas a última ilusão?

O imaginário, fonte inesgotável onde procuramos renovar o sentido.
Abrir o sentido até seus limites e abrir possibilidades, é contar uma aventura possível. O que deseja o ser humano? O desejo profundo do ser humano de dar à sua vida, na medida do possível, a orientação e a efetivação de um destino que o marcará, esse desejo é dele, é seu, pessoal e único. Faz do desejo um caminho. “Homo desideriorum es”, tu és ser de desejo.

A crise existencial surge quando as estruturas internas do sujeito perdem sentido e o vazio que se instala é , antes de tudo, sinal de transformação. É fundamental reconhecer esse movimento interno para se dar o primeiro passo para solução.

São momentos em que a vida parece escapar por entre os dedos. Nada empolga, nada parece ter sentido. Um momento de questionamento intenso e profundo sobre quem somos, o que estamos fazendo e para onde estamos indo. O sujeito olha sua vida de forma bem crítica e dolorosa. Essa crise existencial toca aspectos profundos tais como: identidade, propósito, limitações, valores, possibilidades. Uma sensação de desorientação interna. Um vazio que surge quando o sujeito se fasta de si mesmo. Aparece uma ruptura da imagem antiga pessoal.

Esse vazio existencial aparece quando padrões emocionais, expectativas alheias, narrativas internas, papéis sociais deixam de fazer sentido.

A crise de sentido é o colapso do que sustenta o desejo do sujeito. Aquilo que dava sustentação a sua vida psíquica desaparecem e deixa ver o vazio existencial, o que gera angústia. Aquilo que no dia a dia era fonte de identificações tais como exemplo, status, trabalho deixam de ter o valor de sustentação da vida do sujeito. Lentamente a realidade vai perdendo o sentido pois o sujeito vê ruir suas narrativas.

Diante dessa situação o sujeito vai se deparando com uma falta que habita seu ser mais íntimo e que nada pode preencher: status, riqueza, conquistas entre outros. A vida do sujeito trava e nada o mobiliza. O que gera sofrimento e um peso existencial.
Diante de tal panorama um dos caminhos possíveis é descontruir os falsos sentidos que não correspondem ao desejo profundo e pessoal.

A crise existencial ela destrói falsas certezas, resta ao sujeito inventar novas formas de se relacionar com sua própria existência.

Existe uma diferença entre uma crise existencial e uma crise momentânea. A crise existencial envolve a pessoa de diversas formas, vêm uma falta profunda de respostas, uma perda de propósito, um esvaziamento de si mesmo. É um processo interno no qual o sujeito pausa para fazer grandes perguntas. Um vivência não genuína, fragmentada, pode gerar uma crise existencial. Questionamento profundos que geram sofrimentos.
Essa crise existencial gera desconforto porém bem trabalhada pode levar a um aprofundamento da sua singularidade e levar a enxergar outras coisas. Estamos no campo da saúde mental. A crise existencial é um pedido de ajuda.

A crise existencial não deve ser interpretada apenas no seu aspecto negativo e doloroso, pois também é um momento de transformações e mudanças significativas. Momento de revisar escolhas e caminhos. Um momento de autoconhecimento e revisão de padrões antigos.

É preciso reconstruir quem somos, reconstruir a identidade. É um processo lento e gradual. É preciso reconectar-se com aquilo que faz sentido, ressignificar muitas áreas da vida, reorganizar prioridades. Revisitar com honestidade a própria história, procurar apoio. Explorar novas perspectivas internas.
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Prof. José Pereira da Silva