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sexta-feira 14 agosto 2026
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Literatura em gotas – Stendhal

Literatura em gotas – Stendhal

Praticamente desconhecido em sua época,apesar dos elogios de Goethe e Balzac,Henri Beyle(1783-18420,também conhecido como Stendhal – pseudônimo adotado após ter escrito a obra Roma,Nápoles e Florença,em 1817 -,foi um escritor prolífico. A vida profissional do autor na intendência militar napoleônica e,mais tarde,na diplomacia francesa serviu para lhe dar as bases da observação do mundo novo que se abria.

Com Napoleão tudo muda: dizendo-se herdeiro da Revolução Francesa,destronou monarquias seculares e apresentou ao mundo a possibilidade da nova ordem social,consagrando a coragem e o valor individual em lugar do nascimento.

Stendhal,apesar de ser um dos arautos do Romantismo,busca elementos na Itália renascentista e nos ideais da época das Luzes.Desse modo,a virtu(que poderíamos traduzir por energia),as grandes paixões,assim como a concepção da igualdade entre os homens – tão cara a Rousseau -,e a crítica à ignorância religiosa – tema de boa parte da obra de Voltaire – estão na base da concepção stendhaliana da existência.

A figura mítica de Napoleão funciona como modelo para os jovens Julien Sorel,de O vermelho e o negro,romance lançado em 1830 que se passa na França dos Bourbons,e Fabrice Del Dongo,de A cartuxa de Parma,obra de 1839 cujo cenário é sobretudo a Itália,pátria de eleição do autor.Não se trata apenas de idealizações,pois a realidade histórica havia mostrado o caminho.

Na realidade do mundo pós-napoleônico,os sentimentos deverão se defrontar com a nova ordem: racionalismo burguês,mesquinhas intrigas palacianas e mediocridades aristocráticas,fazendo com que os jovens heróis Julien e fabrice sejam lamentavelmente anacrônicos,embora aquinhoados de vitalidade,paixão e destemor.

Como analista de emoções e vida social,Stendhal buscará compreender o modo pelo qual se relacionam,permitindo ao leitor o entendimento de como as máscaras sociais permitem a cada personagem se movimentar no meio em que vice.
Acoplada à visão individual encontramos a constante temática ligada à procura da felicidade.Viver o sonho da própria ventura se mostra mais de acordo com o ser que constitui o centro da visão que o leitor detém.Desse modo,ambos perseguem a mesma busca,que incorpora certa visão da beleza em geral,promessa de felicidade pela contemplação única que pode proporcionar e pelo anúncio do futuro prazer,caso da mulher amada.

A história literária começa a se interessar por ele.Curiosamente,uma obra escrita do outro lado do aceano,exatamente em 1880,ao ser publicada em livro no ano seguinte,o colocaria como mestre incompreendido.Na verdade,um mestre reconhecia outro,pois o autor é Machado de Assis e a obra é Memórias póstumas de Brás Cubas,em cujo prólogo encontramos menção a Stendhal.

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Prof. José Pereira da Silva