A ausência da cultura da escuta que se faça atenta à solidão e aos sofrimentos dos outros. Muitas vezes conosco mesmos temos dificuldade de nos silenciar e as vezes com os outros nos calamos. São duas mãos que devem ter equilíbrio. Sabemos escutar o sofrimento que existe em nós, o que é fundamental para se pôr a escuta do sofrimento do outro? Escutar deve dar subjetividade a nós e aos outros. Deve nos humanizar.
O silêncio não deve nos distanciar de nós mesmos pelo contrário deve nos aproximar. É a possibilidade de entrar em si. Essa distância em relação a si mesmo , deve silenciar pensamentos e ruídos e seu afeito deve paradoxalmente nos aproximar de nós mesmos. Ver-se com mais clareza.
Esse silêncio pode eventualmente trazer todo caos interior. Tudo aquilo que internamente não foi elaborado pode vir à tona.
As vezes nos calmos diante dos outros porém nosso interior não silencia. O verdadeiro silêncio deve trazer disciplina interior. Saber elaborar nosso silêncio e do outro.
Saber distinguir quando se deve falar ou se calar. O silêncio não deve ser omissão ao diálogos com o outro. Descobriremos que os erros dos outros podem ser os nossos. No silêncio escapamos das ilusões de nossas projeções.
O silêncio deve nos fazer olhar para nós e nos confrontarmos e nos descobrirmos. Auscultar o silêncio propicia ao sujeito melhor compreensão da dinâmica da comunicação interpessoal. Silêncio como introspecção e reflexão. Existem silêncios que são muito barulhentos. Há certas coisas que calamos por não saber o que é e nem como expressar. O silêncio deve ser bem utilizado e da maneira certa.
O silêncio não é mera ausência de palavras; um sujeito que não pronuncia palavras não está silencioso, está simplesmente mudo. O silêncio é uma condição existencial que, ao longo do tempo, nos conduz a que vejamos a luz presente e resplandecente em nós.
O silêncio da vida é a arte de fazer calar as atividades da vida que não são a vida, para se chegar a uma experiência de vida.
Geralmente a maioria das pessoas identificam a vida com as atividades realizadas e identificamos o nosso ser, nossos sentimentos, pensamentos, vontade e desejos com tudo que temos e fazemos.
O que significa na prática o mergulho no fazer e no ter? Significa ir perdendo a capacidade de escutar e nos afastamos de nós próprios. Escurar é aprender a reentrar em nós mesmos. Viver o silêncio significa fazer calar o próprio barulho interior. O silêncio nos ensina a presente nossa e do outro.
Alguém pode se silenciar diante do outro por diversas razões até de conveniência, querer aprovação e insegurança. O sujeito precisa de uma autopercepção externa. Esse auto-silenciamento com o tempo pode levar a pessoa a se desconectar de si mesma.
Porém é difícil silenciarmos diante de nós mesmos; pois o silêncio interior revela, feridas, perguntas, vulnerabilidades e vazios que muitas vezes o sujeito foge. É preciso ter coragem de não fugir de si mesmo, não ter medo do silêncio e se colocar diante daquilo que encontra quando se deixa de fugir. O silêncio para estar consigo mesmo e perceber aquilo que o barulho interno e externo impedia de ver em nós mesmos.
O silêncio interior e da psique exige reconhecimento o que exige maturidade emocional. Numa sociedade em que a superficialidade se faz presente, o barulho impede de escutar no silêncio os gritos que vem do interior da pessoa.
A escuta e o silêncio de qualidade! Dar espaço ao silêncio exterior e interior! São instrumentos que ajudam a reencontrar o sentido mais profunda da existência. A hiperconectividade deve dar espaço também para o espaço interior. Numa sociedade da pressa e superficialidade ter tempo para a reflexão mais atenta e profunda de si mesmo é fundamental.
Prof. José Pereira da Silva














