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quinta-feira 16 julho 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – O incêndio

Vamos de conto? Uma das mais chatas tarefas domésticas é passar roupa e Lucy odiava. Postergava o máximo possível a tão odiosa tarefa, mas naquele domingo, com um monte de roupa lavada e empilhada, decidiu que não tinha mais como adiar. Preparou o odioso objeto chamado tábua de passar roupa, ligou o ferro elétrico e pegou a pilha de roupa para passar. Desanimada, respirou fundo e iniciou o detestável trabalho. Já estava na terceira blusa quando a campainha tocou, reclamou e foi ver quem era. Vendedor de cosméticos, meio estranho, agradeceu dizendo que não queria, mas ele insistiu até ser inconveniente. Ela disse com mais firmeza que não queria, entrou, trancou a porta da casa, retirou a chave e, nesse momento, o celular tocou. Olhou para o visor e era ele. Depois de passar a tarde e a noite de sábado esperando que ligasse, ligava agora. Atendeu e sentou no sofá. Primeiro, ele se desculpou por não ter ligado antes e contou uma história boba. Ela o desculpou por mais que tivesse raiva de fazer isso. Alguns minutos de conversa e combinaram de se encontrar á noite.

Sorrindo e pensativa, desligou o celular e foi tomar água. Com ar de sonhadora, bebericou com calma a água gelada. Ao colocar o copo na pia, sentiu cheiro de queimado e lembrou das roupas. Correu para o quarto, mas era tarde. Havia deixado o ferro elétrico, ligado, em cima da roupa. O ferro queimou e a furou, queimou a tábua, de madeira e, de lá, o fogo passou para a cama e para a cortina. Assim que entrou no quarto, tudo estava pegando fogo.

Desesperada e sem saber o que fazer, correu ligar para os bombeiros e o fogo chegou à fiação elétrica e a coisa piorou de vez. Apavorada, não achava o maldito celular que estivera em suas mãos há poucos minutos. O encontrou em cima da mesa da cozinha. A fumaça já tomava conta da casa e o calor já incomodava. Ligou para os bombeiros e falaram que saísse de casa imediatamente, já estavam indo. Desligou o celular e correu para a porta da sala. Estava trancada e não sabia onde estava a chave, lembrava-se de ter tirado, mas não conseguia lembrar onde a colocara. Foi até o sofá e não estava, olhou rapidamente para o chão e nada. Já com certa dificuldade de respirar correu para a porta da cozinha, também trancada, e a chave estava no mesmo chaveiro da chave da sala, estava presa em uma casa pegando fogo. Desesperada, e sem conseguir respirar, gritava por socorro. Pegou uma panela grande, encheu de água e correu para o quarto. Quando chegou lá, teve a consciência da intensidade do problema. O quarto estava completamente tomado por chamas e se perguntou como um fogo poderia aumentar tão rápido? Jogou a água da panela, que não fez diferença alguma no incêndio e viu sua bolsa. Do outro lado do quarto e já estava queimando. Correu e a pegou. Desesperada, acabou encostando a bolsa na sua camisa que pegou fogo também. Saiu tossindo do quarto, já completamente tomado pelas chamas e pela fumaça. Chegou à cozinha, sentiu o corpo queimando e levou um susto enorme ao ver a roupa.

Se debateu e encostou à toalha da mesa, de madeira, que pegou fogo também. Correu para a sala e retirou a camisa, mas o cabelo se incendiou. Sem perceber, atirou a camiseta, pegando fogo, para qualquer lado e ela caiu sobre o sofá que rapidamente se incendiou. Atordoada, com dor, sem conseguir respirar, gritando desesperada, tentou voltar para a cozinha e viu que, além da mesa, a cortina da pequena janela também estava queimando. Sem conseguir respirar, voltou para a sala. Gritando de dor e desespero. O quarto em chamas, a cozinha e agora a sala também. Já não conseguia ver nada. O fogo já estava na estante e, dali, para a porta da sala. Era o inferno. Sem poder respirar e enxergar, sentindo o corpo queimar, cambaleou de volta para a cozinha. Estava pior. Pensou em ir ao banheiro, mas o botijão de gás explodiu e foi jogada de encontro à geladeira. Bateu a cabeça e caiu, sem poder respirar, sem poder enxergar, sem forças, zonza pela pancada na cabeça e com o corpo em chamas. Ao longe, escutou a sirene dos bombeiros e tudo o que conseguiu pensar é que não conseguiria ir ao encontro naquele domingo a noite.