César correu e adentrou a garagem antes que o homem do carro conseguisse descer e quando Amarildo abriu a porta do carro, apontou a arma e o dominou, foi muito fácil.
Antes que Amarildo saísse do carro, o obrigou a fechar o portão e pegar as chaves da casa. Olhando fixamente para o bandido, com um olhar evidente de ódio, Amarildo desceu com as mãos levantadas e seguiu para a porta da casa sentindo a arma encostada em suas costas, abriu a porta da casa e entraram. Com raiva, mas com muito medo, obedeceu quando o bandido o mandou sentar em uma cadeira e colocar as mãos para trás.
Depois de amarrar e amordaçar o Amarildo, Cesar comeu e bebeu. Se refestelou, arrotou duas vezes, foi até a sala e olhou de forma sádica para o homem sentado e amarrado na cadeira. Deu-lhe um chute, a cadeira virou e Amarildo se esparramou no chão ainda amarrado a cadeira. Impotente e com um misto de raiva e medo, Amarildo olhava para o bandido e considerou que, se tivesse uma oportunidade, reagiria. Sua compleição física era muito maior que a do desgraçado e conseguiria dominá-lo. O problema era a arma.
Sorrindo e com ar de vitorioso, César separou o que ia levar e quando já ia saindo, algo o fez olhar para o armário de material de limpeza e era como se uma voz lhe dissesse para abrir o armário. Tentou resistir, por duas vezes deu meia volta e, nas duas vezes, teve que voltar para perto do armário. Não tinha ideia porque fazia aquilo, era estranho, simplesmente fazia e era como se algo falasse dentro de sua cabeça e ele não conseguia se controlar. Era como se estivesse dominado, como se algo o controlasse e, quase inconscientemente, pegou o vidro de álcool e, com olhos vermelhos, arregalados e insanos, jogou todo o conteúdo em si mesmo e no Amarildo que estava com os olhos arregalados de medo e se debatia para tentar se soltar. Tentava gritar e não conseguia, desesperado, via que o ladrão parecia estar em transe, com olhos vermelhos e alucinados, como se fosse um louco e agia como se fosse um autômato.
A voz na cabeça de Cesar o obrigou a pegar a caixa de fósforos e, para desespero de Amarildo e dele mesmo, acendeu um palito e jogou no homem amarrado que apavorado, desesperado, e já sentindo as dores das queimaduras, tentava, sem sucesso, se soltar e gritar. Então, o bandido, pulou em cima dele e se incendiou também. Ambos gritavam, enquanto que, ali perto, Lucy e o homem de boné assistiam sorrindo o que acontecia.
Poucos segundos depois, Cesar se levantou pegando fogo, se debatendo, pulando e gritando alucinadamente, consciente que estava prestes a morrer, mas ainda tentando se salvar e, enquanto isso, Amarildo se contorcia de dor no chão.
O bandido tentou correr, mas a dor era muito intensa e ele caiu. Seus gritos eram apavorantes e nos próximos cinquenta minutos os dois queimaram completamente, junto com a casa, até a chegada dos bombeiros. De repente, Amarildo abriu os olhos, levantou e começou a andar. Não estava mais amarrado e nem amordaçado, até olhou para os braços sem saber porque. Não entendeu o que estava acontecendo. Lembrou-se do assalto e do bandido, mas só isso, estava meio zonzo. Porque a casa dele estava assim? Ainda atordoado, sem saber o que estava acontecendo, saiu na garagem e em frente à casa estava cheio de gente, mas ninguém o olhou. O que estava acontecendo? Saiu para a calçada e lá estava o desgraçado do bandido e estava acompanhado, junto com ele estavam o homem de boné e a moça, os mesmos que sempre via em seus sonhos. Eles estavam gargalhando agora, e ela olhava para ele e, nesse momento, finalmente reconheceu a moça do sonho, era Lucy, a moça que por tantas vezes estivera para ligar e não o fez. E tanto ela quanto o homem do boné estavam sorrindo e olhando para ele. Ele tentou falar e gaguejou.
— Lucy, mas o que está acontecendo?
— Você morreu seu desgraçado, eu o matei.
— Mas…, porque fez isso?
— Eu estou morta também, por sua culpa e desse imbecil, agora, suas almas me pertencem.
O bandido, César, ali ao lado, começou a chorar, mas não adiantava mais.
“Crônicas e Contos do Escritor” – O incêndio: final
dez 04, 2025RedaçãoCrônicas e Contos do Escritor














