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quinta-feira 30 julho 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – Nas ruas, com segurança!

“Crônicas e Contos do Escritor” – Nas ruas, com segurança!

Todos os dias, quando a cidade desperta, uma imensa corrente de metal começa a se mover e lá estou eu. Carros, motos, ônibus, bicicletas e pedestres escrevem, sem perceber, uma história que se repete desde o nascer do sol até o cair da noite.
Há quem veja apenas buzinas, discussões, semáforos e congestionamentos. Mas o trânsito é muito mais do que isso. Dentro de cada veículo existe um universo particular, um pai preocupado em não se atrasar para buscar o filho. Uma mãe pensando nas contas do mês. Um jovem sonhando com o primeiro emprego. Um idoso revivendo lembranças enquanto espera o sinal abrir.

Curioso como segundos se tornam eternos quando estamos presos em um engarrafamento. O relógio acelera, o estômago contrai, a adrenalina sobe, a paciência diminui e a buzina, muitas vezes, tenta resolver aquilo que o tempo insiste em manter parado. No entanto, nenhuma buzina consegue fazer o carro da frente desaparecer.

O trânsito também revela quem somos. Alguns oferecem passagem com gentileza, outros disputam cada metro de asfalto como se estivessem em uma corrida decisiva, ou em uma guerra para levar vantagens sobre os outros e aí, basta uma fechada ou um sinal ignorado para que palavras duras substituam a serenidade. E essas palavras duram, muitas vezes evoluem para violências físicas. Talvez o mundo fosse um pouco melhor se entendêssemos que chegar alguns minutos depois é infinitamente melhor do que não chegar. A pressa raramente compensa quando coloca vidas em risco.

E, no fim do dia, quando as ruas voltam a se acalmar, a adrenalina e o estresse baixam, fica a certeza de que o verdadeiro caminho não é apenas o que percorremos sobre o asfalto, mas aquele que escolhemos dentro de nós. Um trânsito mais humano começa muito antes da primeira esquina, na verdade, começa na educação, no respeito e na consciência de que todos seguimos pela mesma estrada chamada vida. Mas, sabemos, essa consciência é sempre difícil.

E, entre uma esquina e outra, a vida vai ensinando lições e mais lições. Cada semáforo vermelho parece um convite involuntário à paciência, mas difícil conter a ansiedade para o verde e, esse, nos lembra que sempre chega a hora de seguir em frente.

Há dias em que o trânsito parece um rio calmo, deslizando sem esforço, com delicadezas e certezas, mas em outros, transforma-se em um rio caudaloso e turbulento, dando início à uma tempestade de impaciência, onde cada minuto pesa como uma hora inteira.

Os retrovisores guardam mais do que a imagem dos veículos que ficaram para trás, também simbolizam o passado, lembrando que é importante olhar para o que passou, mas perigoso viver olhando apenas para trás.
E o para-brisa, sempre maior que o espelho retrovisor, talvez nos ensine que o futuro merece muito mais atenção do que os erros do passado.

E, sabemos, no trânsito, como na vida, nem sempre podemos escolher o caminho mais curto. Às vezes, um desvio inesperado nos leva a paisagens que jamais conheceríamos.
Cada faixa de pedestres representa um gesto de respeito, cada seta (infelizmente, poucos motoristas sabem o que é isso) acionada anuncia uma decisão. Cada freada evita uma tragédia. Pequenas atitudes, quase imperceptíveis, que podem fazer uma enorme diferença.

Quando finalmente chegamos ao destino, percebemos que a verdadeira vitória nunca foi chegar primeiro, mas chegar em segurança e se todos compreendessem que um volante também carrega responsabilidades, talvez as cidades fossem mais silenciosas, os hospitais menos cheios e as famílias mais felizes. Uma coisa é certa, o trânsito continuará existindo enquanto existirem cidades, mas ele pode deixar de ser um campo de batalha para se tornar um espaço de convivência.

Afinal, as ruas pertencem a todos. E o respeito, assim como o caminho, sempre tem mão dupla.