Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania revelam casos de maus-tratos, negligência, abuso financeiro e violência psicológica
O Vale do Paraíba registrou 8.076 violações de direitos de pessoas idosas entre janeiro e maio de 2026. Os dados são do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos e abrangem os 39 municípios da região.
Ao todo, foram registradas 1.378 denúncias. A partir delas, os órgãos responsáveis realizaram 890 atendimentos e identificaram 8.076 violações de direitos, como negligência, abuso psicológico, violência física e exploração financeira.
O cenário acende um alerta diante do envelhecimento da população brasileira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país possui atualmente 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, grupo que representa 16,6% da população.
Para a coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica da Faculdade Anhanguera, Ellen Santos, a discussão sobre o tema é fundamental para conscientizar a sociedade e ampliar a proteção desse público. “Essa é a proposta do Junho Violeta: chamar a atenção para as diferentes formas de violência praticadas contra a pessoa idosa e incentivar a prevenção e o combate a essas situações”, afirma.
Os dados da Ouvidoria Nacional consideram diferentes tipos de violações registradas em uma mesma denúncia. Entre as ocorrências mais frequentes estão violência física, abuso psicológico, negligência, abandono, abuso financeiro, violência patrimonial, violência sexual, discriminação e violência institucional.
Segundo a coordenadora, a vulnerabilidade dos idosos exige atenção redobrada por parte da sociedade. “Em muitos casos, a pessoa idosa depende de terceiros para atividades básicas do dia a dia, o que pode aumentar sua exposição a situações de abuso. Por isso, é importante que familiares, vizinhos e a comunidade estejam atentos aos sinais de violência”, destaca.
Além de identificar situações de risco, a denúncia é uma das principais ferramentas para interromper os casos de violência e garantir proteção às vítimas. “A denúncia permite a atuação das autoridades, contribui para responsabilizar os agressores e ajuda a evitar que novos casos aconteçam. O cuidado com a pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva, não apenas dos órgãos públicos, mas de toda a sociedade”, reforça.
A legislação brasileira prevê mecanismos específicos para a proteção dos direitos da população idosa. Casos suspeitos ou confirmados podem ser denunciados pelos canais oficiais, como o Disque 100, que funciona 24 horas por dia, além da Polícia Militar (190), Polícia Civil (197) e Ministério Público.














