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sexta-feira 17 julho 2026
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Literatura em gotas – Samuel Beckett

Literatura em gotas – Samuel Beckett

Samuel Beckett nasceu em 13 de abril de 1906, em Dublin, Irlanda. Faleceu em 22 de dezembro de 1989, em Paris, França. Um dos maiores escritores da segunda metade do século XX, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1969 e ficou para sempre lembrado pela peça Esperando Godot.

Porém o ponto alto de sua obra está em narrativas como Malone morre (1951), segundo livro da trilogia composta ainda por Murphy (1951) e O inominável (1953). Trata-se quase de literatura abstrata: sem enredo, trama, personagens.

No livro, um homem muito velho está preso, nu e inválido, a uma cama doque parece sérum hospital. Toma uma sopa diária e escreve a lápis, num caderno, uma espécie de diário em que mistura pensamentos e histórias sem sentido de pessoas que talvez possam ter sido ele mesmo, não se sabe.

Como é comum em Beckett, observa-se e reflete-se sobre o quase nada da vida, tratada com humor sinistro, como se fosse um acúmulo de banalidades fúteis, do qual pouco sobra na memória dos narradores beckettianos : velhos , doentes, palhaços, mendigos.

Projetou-se internacionalmente com a peça Esperando Godot, passando a ser considerado um dos representantes do teatro do absurdo.

Frequentou os círculos literários e tornou-se amigo de James Joyce, autor do célebre Ulisses.
A trilogia de romances: Molloy, Molloy Morre e O inominável são complexas elaborações sobre o problema da identidade humana e sua perda num mundo fragmentário em que a própria linguagem é posta em xeque. No romance seguinte Como Isto é (1961) o autor apresenta o mesmo gênero de indagações.

A escrita de Beckett é conhecida por sua economia de palavras e por um estilo minimalista que reflete o vazio existencial de seus personagens. Em suas obras, a linguagem é frequentemente usada para mostrar sua própria insuficiência em comunicar significados profundos ou em capturar a complexidade da experiência humana.
Os personagens de Beckett muitas vezes se encontram em situações de estagnação.

Prof. José Pereira da Silva