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sexta-feira 17 julho 2026
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Entrelinhas – Um museu, um menino e uma paixão

Entrelinhas – Um museu, um menino e uma paixão

O Ben está alucinado por futebol. Culpa da Copa do Mundo, claro. Ele vê a bola em qualquer lugar, chuta até o travesseiro, grita “gol” no meio do jantar. E quando a gente percebe que uma paixão está nascendo, a melhor coisa é alimentar. Foi assim que decidimos: meu marido, o Ben e eu, fomos conhecer o Museu do Futebol, no Pacaembu.
Confesso que fui com aquele olhar de quem já viajou e conheceu museus lá fora. Achava que ia ser legal, mas não esperava me emocionar. E me emocionei. Logo na entrada, a gente já sente o peso da história. As camisas, as chuteiras, os vídeos das jogadas antigas, aquele cheiro de grama e memória. O Ben entrou com os olhos arregalados – e eu, com o coração aberto.

O museu estava cheio. Férias escolares, famílias inteiras, filas, crianças correndo. Mas sabe o que é bonito? Ver tanta gente celebrando o futebol junto. Pai ensinando filho o nome dos jogadores, avô contando história de copa, meninas e meninos chutando bola na área interativa. O barulho era uma torcida. E a gente no meio, só observando e sorrindo.
Agora, sem medo de errar: o Museu do Futebol não deve nada para os museus que eu conheci na Europa. É interativo, emocionante, bem montado. Tem tecnologia, tem história, tem alma. A gente passa por salas que contam a trajetória do esporte no Brasil, desde as peladas de várzea até as conquistas mundiais. E tem um momento, ali na sala das Copas, que eu parei e pensei: isso é a gente. Isso é o Brasil.

Mas o melhor de tudo foi ver o Ben. Ele corria de uma sala para outra, apontava para as camisas, tentava chutar a bola no gol virtual. Em algum momento, ele parou na frente de um vídeo do Pelé e ficou mudo. Só olhando. Depois virou para mim e disse: “mamãe, é o Pelé, né?”. Me emocionei. Ali, naquele instante, eu vi meu filho descobrindo uma parte do mundo que é nossa – que é do Brasil.

Futebol não é só jogo. É memória. É encontro. É pai e filho vibrando juntos. É marido e mulher se olhando e rindo do mesmo gol. É uma criança de 5 anos aprendendo que o Brasil também é isso: uma camisa amarela, um estádio lotado, uma seleção que faz a gente sonhar.

Agora, toda vez que o Ben chuta uma bola, eu lembro daquele dia no Pacaembu. Do brilho no olho dele. Do cheiro do museu. Da sensação de que a gente viveu um pedaço da história – e que esse pedaço, agora, também é nossa.

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por Danielle Balieiro Amorim