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domingo 1 novembro 2026
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Fé e Razão – Morte, nascimento para a plenitude da vida eterna

Fé e Razão – Morte, nascimento para a plenitude da vida eterna

Vida e morte são duas portas que permanecem misteriosas. O Ocidental teme a morte como mistério impenetrável. Nossa imaginação não consegue criar uma imagem coerente do mundo do além, e isso nos persegue. Todavia, as tradições antigas, os mitos, as religiões, a história e os ritos funerários de todos os lugares testemunham que desde o paleolítico inferior o homem homenageava seus mortos e imaginava uma sobrevivência no além.

Nos encontramos num contexto cultural que, acerca do sofrer e do morrer, move-se entre remoção e espetacularização; teve quem falou de remoção da morte e epopeia do macabro.

A realidade inexorável da morte deve recordar-nos de que temos um tempo limitado para realizar nossa vida: “Lembra-te de teu Criador nos dias de tua mocidade (…) antes que o pó volte à terra de onde veio, e o sopro volte a Deus que o concedeu” (Eclo 12, 2.7).

A morte foi transformada por Jesus Cristo. Jesus sofreu Ele também a morte, própria da condição humana. Graças a Jesus Cristo a morte cristã tem um sentido positivo. “Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos” (2 Tm 2,11). O Catecismo da Igreja Católica lembra-nos: (…) se morremos na graça de Cristo, a morte física consuma esse ‘morrer com Cristo’ e completa, assim, nossa incorporação a ele em seu ato redentor” (n. 1010).

Para o cristianismo o “finados” não é o fim e sim transformação.
Finda a vida terrestre continuaremos a existir na eternidade.

O homem tem ânsia de vida, mas conhece-se humano, carnal, frágil, matéria finita, e por isso mesmo sabe que sua vida biológica terá um fim. Ficar só na concepção biológica é ter uma visão materialista, existencialista da vida e da morte. Uma visão mais positiva e esperançosa nos garante que a vida não termina com a morte. Essa é a face radiosa da concepção cristã da vida. A morte como nascimento para a plenitude. Na morte o homem se abre para o infinito e nasce para a plenitude.

A fé é o grande aliado nesse momento decisivo. A vida é um dom de Deus. Ela tem duas dimensões: a temporal e a eterna. A temporal é limitada. Cheia de fragilidades, embora permeada pela alegria de viver. Mas é passageira. A vida eterna é a vida por excelência, a vida total. A finalidade da encarnação de Jesus foi precisamente para comunicar-nos a vida, e vida eterna (Jo 3, 16: 6,40; 10, 10; 17, 2; 1 Jo 5, 11). Para participar dessa vida eterna é necessária a fé na Palavra de Jesus ( Jo 3, 15: 5, 24.40). A fé deve ser concreta, porém, feita de obras; deve ser manifestada pela observância dos mandamentos, de modo especial no amor para com o próximo.

A vida terrena alcança, paradoxalmente, com a morte, nova e definitiva condição: a eterna, Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá” (Jo 11,25). O homem terá uma vida eterna como fruto da paixão. Morte e ressurreição de Jesus.

Devemos perceber na morte as sementes da vida! É necessária uma vivência espiritual mais profunda, uma identificação maior com Cristo Ressuscitado, uma experiência concreta de fé e esperança.
A morte é a grande experiência do definitivo, momento privilegiado do amadurecimento. Tem sentido, portanto, lutar pela vida, viver intensamente, ter ideal e ser feliz. Pois é morrendo, dizia São Francisco de Assis, que nascemos para a vida eterna.

Em Jesus a morte deixou de ser um destino sem retorno e tornou-se passagem para a vida que não conhece ocaso.
Sabemos o quanto é difícil para nós enfrentar a dor causada pela morte de alguém querido. É impossível não sofrer. Esse sofrimento não pode ser maior do que a alegria gerada pela vida que passou e, muito menos, será capaz de abafar a alegre esperança da ressurreição, na promessa de Jesus.

A morte relativiza muitas urgências que considerados absolutas. Ter consciência que a vida terrena tem um fim deve nos ensinar a cultivar o essencial e reconhecer que cada dia é uma oportunidade preciosa.

A vida eterna tem três aspectos: ver a Deus, possuir a Deus e amar a Deus, ou seja, a felicidade perfeita. Uma felicidade que deriva do fato de conhecer a Deus, amar a Deus, louvar eternamente a Deus como Sumo Bem. No céu nossa principal ocupação será a visão de Deus.

Na fé cristã , o dia de finados não se celebra a morte, porém a ressurreição, a esperança de que todos aqueles que já partiram deste mundo possam contemplar a face de Deus, alcançando a vida eterna.
Para explicar o mistério da morte, o Novo Testamento usa a imagem do parto. O dia da morte é o dia em que termina a gestação da “nova criatura” ( Gl 6, 15). É o dia do nascimento do “homem novo” ( Ef 4, 24). Por isso, a morte não é ocaso, mas aurora Devemos ter a esperança alicerçada na fé de um dia estarmos juntos na presença de Deus, devemos viver nessa certeza e de forma a merecer isso.

Ouçamos a Liturgia da Igreja: “Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E , desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível”.

Que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus ,descansem em paz!

Prof. José Pereira da Silva