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sexta-feira 4 setembro 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – Vizinho sem noção

“Crônicas e Contos do Escritor” – Vizinho sem noção

Todo bairro tem, pelo menos, um e se não for toda rua. Sempre tem o indivíduo que acha que todo mundo gosta de ouvir a porcaria que ele ouve. Porque é bem assim, é muito difícil quem gosta de ouvir música de qualidade, ouvir em um volume que incomoda os outros.
São sempre os mesmos.
O dia pode estar tranquilo, aquele sofá que te olha e chama para ele, aquele filme que há tempos você quer ver e, finalmente, encontrou tempo e uma plataforma de streaming que passe o danado e, então, lá vem…, a porcaria, começa o inferno.

Não é trovão, não é acidente de ônibus com carreta, não é guerra, não é terremoto, é apenas o infeliz. Sempre ele.
Como é que pode? Como consegue incomodar os outros sem se preocupar?
E quando aquele som idiota, vem do porta-malas de um carro qualquer? O infeliz deixa o carro na rua, na frente da casa dele, e chega até a sacudir as vidraças das casas dos outros. Na minha rua tem um imbecil desses. E não adianta chamar a polícia que ela não vem.

E quando o desgraçado coloca o som à noite? Como dormir? Parece um evento, as janelas vibram e até os copos vibram dentro dos armários e não adianta nem colocar o som de chuva no celular que o volume da música (música??????), daquele infeliz, reverbera dentro do quarto com janelas e portas fechadas e sobrepõe qualquer som. Só resta se preparar para ficar uma madrugada sem dormir. Quando ele liga o som, é apenas o começo de uma longa noite de agonia e raiva.

Desesperado, o coitado do cachorro do vizinho sofre e lhe resta apenar uivar e ganir pedindo socorro. Fico imaginando como fica aquela mãe com bebê? E o doente que precisa de descanso? Ou o idoso. Se o som é durante o dia, como fica o trabalhador da noite? Que tem o dia para dormir e restaurar as forças.
Olha quantas situações desagradáveis criou o imbecil que se acha no direito de incomodar os outros. É impressionante como alguns idiotas confundem liberdade com falta de consideração e respeito para com outros. Parecem esquecer que vivem em sociedade.

Espíritas diriam que o infeliz é apenas um espírito tentando evolução ou testando sua paciência e fazendo você mesmo evoluir. Então, vou agradecer ao infeliz por existir, por morar perto de mim e me dar oportunidade para evoluir.
Ah, não. Ainda não cheguei nesse estado da evolução para agradecer a um “ser” desse.
E sabe o que é pior? O filho da mãe (para não dizer palavrão) ainda parece satisfeito, feliz. Talvez esteja sentado na garagem tomando cerveja e rindo de todos aqueles a quem está perturbando. O que passa na cabeça de uma “coisa” dessa? E me pergunto, como que uma mulher aguenta conviver com uma praga dessa?

O problema não é ouvir música, que é uma das melhores coisas que existem. O problema é ouvir aquelas coisas e ter que lembrar que parede, portas e janelas não são fronteiras acústicas. Lembre-se sempre, o seu direito de se divertir termina quando começa a incomodar o descanso dos outros. Tem gente que trabalha cedo, tem gente que trabalha à noite, tem alguém doente, tem idosos e crianças, pelo amor de Deus.
Há, também, alguém que como eu, só quer assistir seu filme ou ler seu livro em paz.

A boa vizinhança não exige que todos gostem das mesmas coisas e nem que vivam em silêncio absoluto, porém, existe uma palavra que está caindo em desuso cada vez mais: Respeito.
Não precisamos ser os melhores amigos, basta ser bons vizinhos.
Mas, o meu vizinho, como tantos outros por aí, desconhece as regras da boa vizinhança, desconhece a palavra respeito e, simplesmente, creio eu, não teve oportunidade de aprender o que é música de qualidade.

Quando me tornar um espírito evoluído, conseguirei perdoá-lo.

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por J.Robson