Ontem (quarta-feira, 27/05) saiu uma notícia, em uma grande mídia digital, que garimpeiros estão saqueando a floresta amazônica em busca de terras raras. Sabemos que a floresta vem sendo saqueada há décadas, de forma ilegal, para extração de borracha, madeira e ouro. Porém, agora o objetivo é outro, minerais críticos, desejados mundo afora. E no rastro dessa exploração ilegal, vem a violência, o egoísmo e tantas outras coisas erradas.
E esse assunto, Terras raras, muito comentado atualmente, é discutido por especialistas, curiosos com pouco conhecimento sobre o assunto e, também, por aqueles que nem fazem ideia do que se trata o termo.
Outro dia, por exemplo, ouvi dois homens discutindo no ônibus sobre terras raras. Um deles falava com tanta convicção que parecia ser um grande especialista ou o dono de uma mineradora. O outro balançava a cabeça, fingindo entender, enquanto segurava uma sacola de pão e um guarda-chuva quebrado.
— O futuro está nas terras raras.
Falou com toda a pompa e todo ar de conhecimento de especialista.
A frase ficou ecoando na minha cabeça. Ele falava sobre uma terra difícil de encontrar?
Terras raras realmente é um nome curioso. Parece coisa encontrada em mapa antigo, perto de dragões, cavernas obscuras e mares desconhecidos. Mas descobri que não são terras e nem são tão raras assim. São minerais escondidos nas profundezas do planeta, usados em celulares, carros elétricos, satélites, computadores, turbinas e em quase tudo que faz o mundo moderno funcionar sem que a gente perceba. Pensei então no quanto a humanidade gosta de procurar riqueza no subsolo, enquanto ignora os tesouros da superfície. Há gente rara e muito valiosa, todos os dias, muito próximas da gente.
A esposa e mãe que acorda às quatro da manhã para preparar a comida dos filhos e do marido e, em seguida, sai, para seu próprio trabalho, e pega duas ou três conduções e ainda chega disposta e sorrindo ao serviço, sabendo que seu salário é fundamental para o orçamento mensal da família.
Tem o pai, trabalhador, que chega exausto do trabalho pesado, mas encontra tempo e pique para brincar de bola ou esconde-esconde com os filhos.
O professor que insiste em ensinar, mesmo com o salário parecendo uma piada de mau gosto. Aquele amigo que manda mensagem justamente no dia em que o silêncio estava pesado demais. Justamente no momento em que você mais precisava.
Essas raridades, não tem valor, não são reconhecidas, não se vende, não se compra, não se negocia e nem geram disputas internacionais, mas, na maioria das vezes, são a base da nossa vida e nos sustentam de um modo muito mais profundo.
E, o curioso é que as verdadeiras terras raras da vida quase sempre passam despercebidas. A gente valoriza mais o celular novo do que a conversa sincera. Mais a velocidade da internet do que a paciência de quem nos escuta. Mais o brilho das telas do que o brilho discreto das pessoas simples.
Talvez porque aquilo que é essencial raramente faz barulho. Talvez, porque aquilo que está ao nosso alcance, geralmente não damos o devido valor.
Os minerais raros ficam escondidos sob toneladas de terra, mas as pessoas raras e realmente importantes se escondem na correria dos dias. É preciso olhar com atenção para encontrá-las.
Especialista ou não, o homem do ônibus tinha razão e o futuro realmente depende das terras raras, mas, creio, que ele estava falando das raridades erradas.
É mais que necessário olhar à nossa volta, ver o que importa, valorizar o que deve e merece ser valorizado. Pense no valor de um sorriso, na importância do carinho de um pai, de uma mãe. Pense no que se consegue com um simples gesto de gentileza.
Pense na força de um abraço.
Pense na sua mãe, no seu pai, nos seus irmãos e irmãs, pense nos seus amigos.
Isso sim são coisas importantes.
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por J. Robson














