Search
quarta-feira 17 junho 2026
  • :
  • :

“Crônicas e Contos do Escritor” – Seres da noite

Vamos de conto de terror?
Coisa estranha, perigosa e pavorosa…eles vieram aos poucos, foram chegando, chegando, chegando…e se tornaram milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares, milhões.
As primeiras vítimas foram os pequenos animais como ratos, galinhas, depois cães, gatos, mas sua fome era insaciável, precisavam de carne e sangue e logo partiram para os grandes animais e, por último, humanos. Mataram muita gente, destruíram ruas, bairros, cidades…, países. Eram hordas de monstros que desciam do céu, surgiam do nada, de repente, e matavam. O ser humano reagiu, precisava caça-los, controlar essa praga, acabar com eles e trazer a segurança e a paz de volta. Mataram muitos deles, grupos armados se reuniam para abatê-los, mas não foi suficiente e não era seguro. Morria mais gente do que monstros. Veio a reação armada dos governos, mas os monstros malditos aniquilaram exércitos que tentaram caça-los.
O desespero tomava conta, não havia o que fazer, não havia como acabar com eles. Muitas e muitas, armadilhas, enormes, foram montadas para acabar com eles. Mas, não eram suficientes. A cada noite, mais e mais dos demônios surgiam.
Foram capturados vivos muitos daqueles demônios, mas era difícil estudar os desgraçados e os
cientistas e biólogos tentavam, sem sucesso, entender aquelas coisas, perderam cabelo tentando conhecer sua origem, sua estrutura, tentando entender como surgiram e como podiam ser aniquilados, mas ninguém chegou à uma conclusão sequer.
Especialistas desesperados. Mundo desesperado.
Todos continuavam sem saber de nada, só sabiam que chegavam no começo da noite, nada mais se sabia. E Tentaram de tudo, armadilhas imensas, incêndios, gases tóxicos, armas das mais diversas possíveis e nada. Os monstros malditos estavam ganhando a guerra, se multiplicavam em uma proporção muito maior do que eram dizimados.
O ser humano estava perdendo a guerra contra os demônios malditos.
Dias se passaram, semanas, meses e anos.
E o ser humano perdeu a guerra, os monstros tomaram conta de tudo. Não havia mais o que fazer, só restava se proteger quando a noite chegava. A escuridão trazia o medo, o desespero e a morte. Nos tornamos reféns, dentro de nossas casas.
E, agora, não se pode sair à noite, os desgraçados estão à espreita e atacam em bandos e matam. Com o final da tarde, todos se recolhem às suas casas. Não é seguro ficar ao ar livre.
A noite é deles. Na escuridão, o mundo é deles. Eles venceram.
A cada noite, o céu parece se abrir e derrama milhões das coisas horrendas. Hordas violentas descem do céu matando o que encontram pela frente. Carnívoros, violentos, assassinos, demônios. Não há mais vida noturna, a noite as cidades param, Países…o mundo todo.
De onde vem? Ninguém sabe.
Como surgiram? Ninguém sabe.
Como acabar com eles? Ninguém sabe.
Da proteção de minha casa, abro uma pequena fresta na janela gradeada e os observo.
Lá estão eles, os malditos…, horríveis, assustadores, nas ruas, aos milhões.
Não sei como, dezenas deles devoram algo que parece ser uma vaca e, em questão de segundos, a comem por completo.
Olho para eles, horrorizado. Não há o que fazer. Pego o fuzil e miro a cabeça de um deles. Alguém abaixa, lentamente, o cano da arma, é a minha esposa. Olho para ela e com voz doce e tremula sussurra a realidade. – Não adianta e é perigoso. Vão nos atacar.
Sei que ela está certa. Os monstros malditos atacam o local de onde partiu o tiro. Não há o que fazer, só nos resta esperar pelo amanhecer, no mais absoluto silêncio.
E eles estão lá fora, só esperando alguém sair, só esperando…