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sexta-feira 17 julho 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – Peso das escolhas

Sabemos que a vida é feita de escolhas, certas ou erradas, com consequências grandes ou pequenas, mas sabemos também que haverá consequências, sem dúvida alguma. O peso das escolhas, na maior parte das vezes, chega devagarzinho, se instala como que não querendo nada. Outras vezes, chega com estardalhaço, acompanhada do “porque fui fazer isso?” Mas, já é tarde, está feito. A consequência vai ficar e, muitas vezes, por muito tempo.
Tudo começa com decisões pequenas, quase invisíveis, quase despercebidas, faço ou não faço, vou ou fico, misto quente ou lanche de hambúrguer? Pizza portuguesa ou de calabresa? Bife à parmegiana ou um filé mignon acompanhado de batatas?

E assim vai, decisões simples, tranquilas, com consequências leves ou até mesmo tão pequenas que passam despercebidas. Mas tem as decisões médias e grandes e é aí que tudo complica. Falar ou engolir as palavras, agir ou deixar para lá?

Estamos continuamente conjecturando sobre o que fazer. Às vezes, acreditamos que são coisas simples, mas cada escolha carrega um peso e esses pesos, com o tempo, vai determinar a vida que nos acontece.

Há dias em que escolher parece leve, como se qualquer caminho servisse, qualquer decisão estaria ok, no entanto, outros dias vêm carregados de sensações estranhas, talvez um sexto sentido, como se o mundo inteiro estivesse avaliando nossa decisão e são nesses momentos que o peso aparece de verdade, um frio no estômago, a boca seca e a decisão é nossa, não há a quem recorrer. Você é o dono de suas decisões. Mas, como incomoda aquele terrível pensamento insistente: “E se?”

O danado do “e se” está sempre nos acompanhando em cada decisão a tomar e, até mesmo, nas decisões já tomadas… “E se eu tivesse pego outro caminho? E se eu tivesse tomado outra decisão?”
O “e se” não impede a decisão, mas incomoda, atrapalha, caminha ao lado, lembrando que toda decisão é também uma renúncia. Ao dizer sim para algo, decidimos que, uma infinidade de possibilidades, nunca vão existir. E talvez seja isso que mais pesa, talvez não a decisão tomada, mas aquelas que deixamos pelo caminho.

O incrível é que, mesmo assim, a vida não espera, o tempo corre, nos atropela e temos que aceitar as consequências das decisões tomadas.

E a gente vai decidindo como pode, às vezes com coragem, às vezes com medo, às vezes só porque não decidir também é uma forma de escolher.

Com o tempo, aprende-se que o peso não desaparece, ele muda de lugar. Deixa de ser dúvida e vira memória. Deixa de ser incerteza e vira consequência. E, de alguma forma silenciosa, passa a fazer parte de quem a gente é.
Talvez o segredo não seja escolher, apesar do peso, mas aceitar que as consequências virão. Estar preparado para o que vier. O ser humano, como um todo, é resiliente.

De uma maneira ou de outra, com ou sem sofrimento, vamos nos adaptar e a vida vai seguir em frente. Os dias, vão passar, as coisas se acomodarão (bem ou mal), mas, queira você ou não, vai continuar tomando decisões certas e erradas e seguindo adiante.

Na verdade, são justamente nossas decisões, gostemos ou não, com tudo o que trazem, que definem a nossa história.
Difícil? Sim. Complicado? Sim.

Por mais difícil ou complicado que seja, por maior que seja seu peso, fazer o que, né?
Temos que aceitar, queiramos ou não, o peso de nossas escolhas.