Acordar ao amanhecer e levantar é um presente de Deus. Entre os diversos espetáculos da natureza e do poder de Deus, um dos mais bonitos é o amanhecer. Vida que renasce, mais uma chance para ser melhor do que fomos no dia anterior. Mais uma oportunidade para trabalhar, estudar, ler, aprender, fazer o bem e evoluir espiritualmente.
Se observarmos com olhos de poeta, nas manhãs encontramos um instante em que parece que tudo para, parece não ter movimento, parece que o mundo prendeu a respiração, apenas para observar a beleza do amanhecer.
A escuridão da noite, indo embora devagarinho, se agarra aos cantos e o frio escorrega silencioso pelas ruas, calçadas, parques e, ao longe, a neblina, na imponente e orgulhosa serra da Mantiqueira, se dissipa lentamente. E, por falar na serra, na nossa serra da Mantiqueira, ela permanece desenhada, desafiando o azul do céu como se fosse uma sentinela atenta e poderosa. Parece um sonho, um doce imaginário nas mentes daqueles que admiram as maravilhas da natureza. E a serra da Mantiqueira, essa maravilha que está bem aqui ao nosso lado nos brinda, não com o nascer do sol, mas com um belo e inesquecível pôr do sol.
Voltando ao amanhecer, ao longe, se inicia todo o processo mostrando que o nascer do sol vem devagarinho, rompendo a escuridão da noite aquecendo e dando vida para tudo.
Imagine os locais onde o sol nasce por trás de uma serra? Deve ser simplesmente maravilhoso.
Você vai ver, primeiro aquele início de claridade, tímida, quase como um segredo partilhado com poucos. Então, um fio dourado se insinua por entre os morros, sobe, se espalha pelas nuvens causando aquele alaranjado todo especial, toca o topo das árvores e escorre como ouro líquido pelos morros abaixo. Um visual que nos faz imaginar alguém, lá em cima, abrindo as cortinas e dando passagem para o amanhecer e é gostoso perceber o sol chegando sem pressa, como que consciente de que a lentidão nos dá oportunidade de apreciar o divino. O sol não invade a manhã sem avisar, chega devagarinho iluminando, aquecendo, o que encontra pela frente. Talvez, pudéssemos tirar lições disso, afinal, nem toda mudança precisa ser brusca, ou barulhenta, para ser grandiosa.
Com o nascer do sol na serra, lá embaixo, os pássaros despertam para o novo dia e começam a conversar, difícil entender suas palavras, são gritos, cantos e barulhos. E, no meio disso tudo, janelas se abrem para o novo dia, se abrem para a dádiva de Deus e logo o cheiro do café vai se misturar ao ar fresco. A cidade está acordando, pessoas apressadas correm para pegar os coletivos, outros tiram seus carros da garagem e iniciam a confusão do dia e, enquanto isso, a serra continua lá, firme, grandiosa, guardando seus mistérios, protegendo seu passado, ostentando seu presente e prometendo seu futuro.
E o sol, que, todo dia, repete a mesma coisa, sem cansar, sem reclamar, consegue fazer com que cada manhã pareça inédita. Vamos agradecer pelo ineditismo de cada manhã. Se o sol não reclama, porque posso me achar no direito de fazê-lo?
Sim, eu sei, há dias em que acordamos cansados, preocupados, com pensamentos tristes. Sei que há manhãs em que tudo está nublado, mas vamos lutar, acreditar e confiar que a próxima manhã virá com o sol derramando bênçãos.
O sol não paga nossas dívidas e nem acaba com nossas preocupações, mas nos lembra, a cada dia, que a escuridão, por mais densa que seja, nunca será dona definitiva do horizonte.
Vamos sorrir e crer que por mais que os dias sejam nublados ou chuvosos, sempre vai chegar aquele dia em que o sol vai aparecer para nos iluminar e aquecer.
E, não se preocupe, mesmo que a nossa Serra da Mantiqueira não nos presenteie com o nascer do sol, acredite, o presente virá no pôr do sol.
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por J. Robson














