Há árvores que parecem desistir da vida quando o inverno chega. Pouco a pouco, deixam cair suas folhas, despem-se da exuberância e permanecem silenciosas, quase imóveis. Quem passa por elas sem conhece-las pode imaginar que chegaram ao fim, que o tempo venceu a batalha.
Mas, a natureza conhece segredos que a pressa humana costuma ignorar.
Apesar dos galhos secos e, aparentemente, sem esperança, a vida continua trabalhando em silêncio. As raízes permanecem firmes, guardando energia para o momento certo. Não há desespero em perder as folhas, há sabedoria. É preciso abrir mão do que já não pode ser sustentado para atravessar a estação mais difícil.
As pessoas, de um modo geral, raramente aceitam o inverno (ou decepções), pois querem florescer o tempo todo, produzir sem parar, sorrir mesmo quando a alma pede recolhimento. Esquecemos que até as árvores mais fortes precisam de um tempo para descansar. Há uma poesia escondida no galho nu. Ele não pede aplausos, não reclama da paisagem vazia, não disputa com o vento e apenas espera. E esperar é também uma forma de coragem.
As manhãs frias cobrem os campos com um véu de neblina, como se o mundo inteiro respirasse mais devagar. O canto dos pássaros diminui, o sol demora a aquecer a terra e o tempo caminha em passos cada vez mais lentos. Ainda assim, debaixo da casca áspera da árvore, a seiva continua seu percurso, escrevendo uma história invisível aos olhos apressados.
Talvez, ocorra o mesmo com as pessoas, temos dias em que perdemos sonhos, planos e certezas. Os atropelos da vida nos fazem perder, lentamente, as folhas que caem de nossa alma sem que possamos impedi-las. Sentimo-nos despidos diante da vida, vulneráveis como um tronco exposto ao vento, mas nossa essência permanece enraizada onde o frio não alcança.
A natureza nunca confunde silêncio com ausência de vida. Ela sabe que há milagres que só acontecem longe dos olhares. O broto nasce escondido, a raiz se fortalece no escuro e a esperança amadurece antes mesmo de mostrar o rosto.
Então, chega a primavera, e, quase sem aviso, surgem os primeiros brotos e o que parecia morto revela que tudo não passou de apenas um intervalo. As folhas voltam, as flores aparecem, os pássaros retornam e a árvore, antes silenciosa, transforma-se novamente em um espetáculo de vida. Cada folha nova parece carregar uma mensagem escrita pelo próprio tempo, a prova de que nenhum inverno, ou tempestade, é eterno.
A árvore não recupera as folhas caídas, mas cria outras mais jovens, mais viçosas, moldadas pelas experiências da estação que passou.
Assim também acontece com o coração humano. Não renascemos voltando ao que éramos, apenas renascemos transformados e, talvez, seja por isso que as árvores inspiram tanto respeito, não tem medo dos ciclos, abraçam cada estação como parte da mesma existência. Sabem quando florescer, quando frutificar e quando simplesmente permanecer em silêncio.
Quem aprende com elas descobre que a verdadeira força não está em nunca perder as folhas, mas em conservar a esperança mesmo com os galhos aparentemente vazios.
A vida sempre encontra um jeito de recomeçar.
E, com a chegada da primavera, os galhos novamente tem folhas verdes, espalha perfume e colore o horizonte. Então, entendemos que o inverno nunca foi o fim da história.
Talvez, devêssemos olhar mais para as árvores e menos para os relógios e celulares.
Elas nos ensinam que a pressa não produz flores, que o tempo não destrói o que possui raízes profundas e que a esperança, assim como a primavera, sempre encontra o caminho da volta.
Tudo é uma questão de acreditar, ter fé, e dar a volta por cima. Nada, nada, é eterno, por pior que seja o inverno, a tempestade ou as decepções da vida.
É só uma questão de seguir em frente, tudo passa.
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por J. Robson














