Manuel Quirino: pesquisador dos africanos e da cultura afro-brasileira
Na época de Nina Rodrigues, outro pesquisador baiano, Manuel Querino (1851-1923), se dedicaria às pesquisas sobre os africanos e a cultura afro-brasileira. Querino era de origem humilde e de ascendência africana. Era co-partícipe do mundo negro de Salvador à época.
Com tal vivência, e com sua habilidade literária, Querino pôde escrever diversas obras fundamentais sobre a herança africana na formação do povo brasileiro, como: Artistas baianos (1909), A artes na Bahia (1909), A Bahia de outrora (1916), A raça africana e os seus costumes na Bahia (1916), O colono preto como fator da civilização brasileira (1918), Candomblé do caboclo (1919), Homens de cor preta na história (1923), A arte culinária na Bahia (1928) e Costumes africanos no Brasil (1938).
Ademais, ao que se saiba, Manuel Querino foi o primeiro autor brasileiro a destacar o aspecto civilizador do africano no Brasil, da perspectiva histórica. Esse é o tema fundamental do seu escrito mais conhecido, O colono preto como fator da civilização brasileira, escrito em 1918.
Como observa o sociólogo Antônio Sérgio Guimarães, a visão de Querino acerca da presença civilizadora do africano no país parte de uma dupla consideração: a) tratá-lo como colonizador, e não apenas como mão-de-obra escrava, passiva; b) focá-lo em seu papel civilizador, como elemento que cria e promove civilização, invertendo a tradicional associação do negro com a barbárie. Por tais considerações e pesquisas, Querino é um autor fundamental para a história dos estudos africanos e da presença africana no Brasil.
Sua contribuição, no entanto se manteve isolada em sua época, não configurando uma tradição analítica sobre o tema. Só após sua morte seus trabalhos ganharam certa notoriedade na Bahia. Foi então louvado como grande pesquisador do negro.
No dizer de Arthur Ramos, fundador da chamada Escola Nina Rodrigues, Querino foi, sob o aspecto documental, mais valioso do que seu mestre, Nina Rodrigues.














