No Brasil 19 milhões de pessoas sofrem de ansiedade; 12 milhões com depressão; 1 a cada 4 brasileiros relata sintomas frequentes de tristeza, ansiedade ou esgotamento emocional (IBGE, 2023). No mundo temos 280 milhões de pessoas com depressão; 301 milhões sofre de transtornos de ansiedade; o suicídio é a 4 principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
O suicídio é algo importante em termos de saúde pública e que exige políticas públicas adequadas. Diante de todo esse quadro surge o desafio de valorizar a vida.
O suicídio não é apenas um desejo de morte como muitos podem pensar porém um conflito profundo e intenso entre o impulso de querer destruir o próprio corpo e aquela necessidade de interromper uma dor psíquica ou trauma intolerável. O suicídio é um ato de dor. Essa tentativa de tirar a própria vida se relaciona com a vivência cumulativa de situações traumáticas em que se foi perdendo o sentido existencial. É uma urgência subjetiva.
É uma situação que exige atendimento urgente e de qualidade, uma escuta de urgência. O sujeito diante de situações difíceis e traumáticas foi fracassando no processamento psíquico. Se existe tentativa de suicídio surge a probabilidade de que o suicídio possa ocorrer. Muitas vezes existe na vida do sujeito um silenciar sobre o que lhe causa traumas, ou seja, a impossibilidade de representar o ocorrido. Uma história de excessos de faltas não representadas e elaboradas.
É fundamental o sujeito ter espaço para elaborar suas experiências traumáticas. O sujeito tem que se reposicionar.
O aumento da taxa de suicídio mostra um mal-estar na nossa sociedade portanto é um dos reflexos desse mal-estar.
Temos um discurso social que molda o sofrimento psíquico. Temos uma subjetividade contemporânea que é hiperexposta, acelerada e performática que amplia as condições para o colapso da imagem de si. Uma perda radical simbólica de uma perspectiva de futuro.
Quem matamos quando matamos a nós mesmos? O suicídio traz questões fisiológicas, sociais, éticas etc. O suicídio é uma situação extrema, um limiar entre a vida e a morte. Quando o sujeito se sente distante e largado do outro, um momento de ruptura da existência. O suicídio tem um contexto.
Alguns dizem que o século XXI é o século da depressão, penso que muito mais o século da frustração. Tenta-se medicalizar a frustração o que deixa as pessoas despreparadas para as frustrações.
Muitas vezes a tentativa ou a consumação do suicídio é um apelo radical direcionado a alguém, na tentativa desesperada de marcar uma falta ou resgatar um laço afetivo. Para o sujeito que vive uma dor extrema o suicídio é para ele naquela situação a única saída imaginada para cessar seu sofrimento.
Aquela capacidade do sujeito lidar com situações dolorosas sem que o Eu se fragmente é extremamente variável entre os sujeitos e também na mesma pessoa ao longo de sua existência.
Para lidar com problemas graves a sociedade criou soluções artificiais e que na prática não resolve efetivamente os desafios: drogas, álcool, psicofármacos e para alguns a solução é o suicídio. Cada pessoa comente o suicídio por razões particulares tais como: autopunição, culpa, raiva, vingança, vergonha entre outros. Diante de afetos intoleráveis vai surgindo as ideias suicidas. Psicologicamente a pessoa vive um conflito e o sujeito busca no desespero um estado de não sofrimento.
É importante frisar que o suicida deve ser levado a sério e suas ideais suicidas devem ser identificadas o quanto antes. Assim existe a chance do sujeito ser ajudado n reconciliação com aqueles aspectos de sua existência que deseja sobreviver. Fundamental buscar novos significados que tornem o sofrimento suportável. Identificar, compreender e intervir pode salvar vidas. Identificar os gatilhos, ter estratégias de enfrentamento, contatos de apoio, ambientes seguros e contar com profissionais e serviços.
Prof. José Pereira da Silva














