A consciência é o lar da pessoa, o santuário de sua liberdade. O ser humano de consciência sabe estar sempre em seu lugar sem se deixar arrastar pelos ventos favoráveis que possam soprar. A consciência deve ser bem formada para que se seja coerente consigo mesmo e com os demais.
A falta de consciência é algo que corrói e destrói a convivência humana. Quantas vezes muitas pessoas não dedem o assento no ônibus para um idoso, não respeitam os sinais de trânsito, nem a calçada na hora de estacionar, da falta de escrúpulos quando o assunto é ganhar dinheiro, da falta de espírito cívico no cuidado das ruas e praças, da falta de educação. Todas essas situações são um exemplo de falta de consciência.
E o melhor termômetro social para medir a falta de consciência é, de um lado, a grosseria e, de outro, a injustiça, passando pela desatenção, o atropelo, a mentira e o roubo.
Porque um ser humano sem consciência bem formada é um ser desorientado e desorientador; é um ser fora de si mesmo: um exilado e fugitivo de suas responsabilidades.
A consciência é fundamental para reconhecer quem somos na realidade com nossas qualidades e limitações. Nenhuma mudança consiste na vida humana pode ser feita sem a consciência e posteriormente aceitação. Esses dois aspectos são fundamentais no autoconhecimento e no amadurecimento humano.
A pessoa precisa enxergar-se primeiro com sinceridade para depois efetuar todo o processo de mudança. Ter consciência da própria realidade.
Vivemos numa sociedade que neuroticamente vive da comparação; ter consciência da própria e singular identidade é imprescindível. Como mudar sem compreender os próprios sentimentos, emoções, valores, frustrações, traumas etc. Reconhecer limites faz parte do aceitar-se, que nunca pode ser visto como acomodar-se. Toda aceitação consciente e lapidada é caminho importante para que a mudança efetiva aconteça e de forma consciente.
A consciência encarada como processo responsável é sempre um olhar atento e honesto sobre si mesmo. É preciso ter coragem e ousadia de reconhecer quem somos para dar um passo em direção a superação.
O que devo fazer? A resposta mais plausível deve ser aquela que mais respeita a realidade e ajuda-nos a crescer com maturidade.
Nossas ações ajudam a configurar o tipo de pessoas que estamos nos tornando, e, dessa maneira, em última análise, aquilo que devemos fazer se baseia naquilo que devemos ser. Nossas ações moldam ao mesmo tempo a nossa própria personalidade e também as pessoas e o mundo ao nosso redor.
Adquirir consciência nem sempre é uma tarefa simples. A sociedade em muitos aspectos é tóxica e se chegou a um estado de paroxismo no qual a regra geral é a perda da consciência da medida das coisas. É a perda da consciência de limites o tempo todo. Para os antigos gregos a perda da consciência dos limites ( descomedimento) era a maior de todas as falhas. É a compulsão de fazer muitas coisas e no menor tempo possível.
Muitas vezes é tornar o inconsciente em consciente. A mudança precisa desse processo para que um indivíduo o adquira poder de escolha. O indivíduo tomando consciência adquire a capacidade e o discernimento para entender por que age de determinada maneira. A partir no momento que determinado problema pessoal se torna cada vez mais consciente vai paulatinamente perdendo seu efeito destruidor.
Portanto tomar consciência é um processo de elaboração que ajuda a lidar com sentimentos, emoções entre outros. Sigmund Freud ( 1856-1939)dizia: “Você só muda aquilo que você torna consciente”. Não há transformação sem primeiro enxergar o que precisa ser mudado. Nossos comportamentos automáticos, pensamentos repetitivos e padrões emocionais. Quando nos tornamos conscientes deles, temos a chance de ajustá-los e criar novas formas de viver.
A consciência é como uma luz que ilumina o que estava escondido. Reconhecer o que nos limita ou machuca pode ser desconfortável, mas é nesse processo que encontramos poder para mudar. É um trabalho interno que exige honestidade e coragem, mas que liberta e abre caminho para o crescimento real. Observar suas emoções, questionar seus pensamentos e refletir sobre seus comportamentos.
Tornar o inconsciente consciente é a chave para escrever uma nova narrativa existencial.
Prof. José Pereira da Silva














