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sábado 23 maio 2026
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Fé e Razão – Conhecer-se: um coração desorientado é uma fábrica de fantasmas

O ser humano sempre teve dificuldades para entrar em sua própria casa interior e conhecer-se inclusive hoje.

O cuidado com o interior e o autoconhecimento não tem sido uma das práticas humanas estimuladas e buscadas em nossa cultura ocidental. Pelo contrário, a maioria das pessoas nunca mergulhou em si mesmas de uma forma mais profunda e não tem intenção de fazê-lo.

Dá-se uma forte resistência, atentada pelo medo do que poderiam encontrar em si mesmas. Quando não se está disposto a entrar em si mesmo e colocar-se diante da realidade tal como é, o medo aumenta e, para justificá-la, multiplicam-se os fantasmas. A advertência de Santo Agostinho (354-430) vai nesta direção: “Um coração desorientado é uma fábrica de fantasmas”.

Esse conhecer-se não meramente acúmulo de informações e sim todo um processo de autorreconhecimento. É reconhecer aquilo que já existe no interior da alma. É conhecer-se ao mais profundo de nós. Trabalhando as emoções e sentimentos, lidando melhor com os medos e traumas.

O maior espaço inexplorado do mundo é o espaço existente entre nossas orelhas. Indica que o conhecimento de si só pode acontecer pela vontade individual em se descobrir. Uma tomada de consciência daquilo que ali existe e não vinha á tona. Algo que traz benefícios emocionais . O que exige que se assuma a responsabilidade pelas descobertas interiores.

Uma visão realista mínima nos diz que isto não é fácil. Na vida há situações difíceis, traumas dos quais ninguém quer se recordar.

Há elementos inconscientes, relegados ao esquecimento pela sua periculosidade e capacidade de causar sofrimento. Mas há também potencialidades, habilidades, esperando serem iluminados. Sua descoberta é condição para seu cultivo, pois enriquecem o ser, dão valor à própria existência e oferecem possibilidades mais amplas de realização.

Dizia Santo Agostinho: “Quantas riquezas possui o homem em seu interior! Mas, para que servem, se não são exploradas e investigadas?”.

Prof.  José Pereira da Silva