Já estamos, praticamente, em meados de novembro. Como assim? O ano voou, nem vi passar. O tempo acelerado roubou a oportunidade de fazer muitas coisas. Na verdade, sempre rouba.
Sabe aquelas metas que nos colocamos a cada final de ano? Então, não cumpri nem vinte por cento delas.
Mas, nem me preocupo, a culpa não é minha, a culpa é do tempo, porque agora, creio, o ano deve ter, no máximo, cem dias. Você tem dúvidas disso? Eu não.
Só assim para explicar que o ano já está chegando ao fim. Mas deve ser normal, parece que, a cada ano, o tempo encolhe e ficamos de lado observando o tempo passar, sem reação, como meros espectadores. Talvez, Einstein possa explicar isso.
Por exemplo, me lembro que na minha infância o ano deveria ter em torno de mil dias, férias escolares e natal demoravam muito para chegar. Já na adolescência o tempo acelerou um pouco menos, talvez o ano tivesse em torno de quinhentos dias, mas ainda assim conseguia realizar minhas coisas com sobras. Na faculdade a coisa começou a apertar e o ano tinha, por volta, de trezentos dias. Veio o trabalho, casamento, filho e o tempo diminuiu muito, o ano deveria ter em torno de duzentos dias. Mas agora, mesmo com o fim do casamento, filho crescido e tudo o mais, creio que meu ano não passa de cem dias. Oh, meu Deus! Como faço para fazer tudo o que tenho para fazer? Qual é a mágica para isso?
A verdade é que nossos dias não são mais suficientes para fazer tudo o que temos que fazer e passamos os dias envolvidos demais em tantas coisas que nem vemos a hora passar. A internet, os computadores, celulares que, em teoria, serviriam para acelerar as coisas, na verdade nos tomam muito tempo. E, também, exatamente porque os eletrônicos nos ajudariam a fazer mais coisas que fomos, a cada vez, assumindo mais e mais coisas e isso nos tomou horas importantes.
Porém, tenho certeza que não existe ladrão de tempo como esse aparelhinho chamado celular. Os danados dos vídeos do celular e as danadas das redes sociais nos roubam um tempo precioso.
Me lembro que houve uma época que tínhamos tempo para passar minutos e horas em frente de casa conversando com parentes e amigos. Histórias diversas, conversas à toa, fofocas e “causos” de assombração. Terror que divertia os adultos e apavorava as crianças.
Mas, cadê tempo para isso agora?
Tudo bem que a violência que nos assombra, que nos assusta, que nos faz temer assaltos, nos impede de ficar em frente das casas jogando conversa fora. Foi um tempo bom, agradável, e que deixou saudade.
A vida mudou demais, não há tempo para mais nada. A vida é uma correria só.
E assim vamos caminhando nesse mês de novembro, sabendo que o tempo, sempre curto, vai nos trazer rapidinho o mês de dezembro e então lá vem as tradicionais confraternizações da família, da empresa, do bar, dos amigos, afff. E, também, hora de pensar nos presentes e, oh meu Deus, lá vem gastos. Hora de pensar nos enfeites da casa, as tradicionais luzinhas de natal que, aliás, gosto muito. Adoro ver as casas e prédios enfeitados. Amo o espírito do natal.
Ah, e daqui a pouco teremos que pensar na ceia e, então, chega o natal com direito a amigo secreto e tudo. Ah, e vem o réveillon e lá vamos nós pensar em mais uma ceia e é hora de fazer lista de metas (eu faço sempre, nunca cumpro, mas faço) para o ano que vem. E farei minha lista já sabendo que mais da metade dela não conseguirei cumprir.
E o mês de dezembro já acabou. Vamos para 2026 acreditando que no primeiro dia do ano tudo vai mudar. Faz parte, tem que ser assim, o que poderíamos fazer?
Assim a vida segue.
“Crônicas e Contos do Escritor” – Um tempo acelerado
nov 13, 2025RedaçãoCrônicas e Contos do Escritor






















