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segunda-feira 27 abril 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – Tristezas e decepções

Quantos segredos guardamos em nossos corações, em nossas almas, segredos em um mundo de ilusões baratas que tomam importâncias enormes e, na verdade, para muitos seriam considerados bobos, desnecessários, mas que para cada um de nós só de imaginar que outros poderiam ter acesso aos nossos segredos, nossos mistérios, já ficamos apavorados e para quê?
Quantas tristezas tentamos esconder, quantas decepções que fazemos de tudo para que ninguém saiba. Palavras nunca ditas, medos jamais contados, segredos nunca revelados, seguimos nossas vidas, amadurecemos e muitos medos e segredos deixam de ter importância.

Qual criança não tem medo do escuro? E raríssimos adultos deixam o medo do escuro lhe seguir pela vida. O escuro não era pavoroso? Muito, e hoje não é mais. Mas, segredos, medos, mudam em nossas vidas, passam de um para outro e continuamos carregando nossos mistérios em nossos corações. Quantas mentiras contadas? Quantos segredos escondidos? Quantas coisas só dissemos para nós mesmos e que no escuro e solidão de nossas noites vem nos assombrar, nos preocupar e nos entristecer. Ah, essas lágrimas que insistem em escorrer pelas nossas faces tristes. Não, não vou revelar para ninguém, são a minha vergonha, o meu medo ou a minha decepção. Mas essa palavra é muito doída, decepção, eita palavra que pesa em meu coração, ou melhor, nos nossos corações. Tudo podia ter sido tão diferente, como permiti que minha vida tomasse esse rumo? Hoje sei que, em alguma bifurcação da minha vida, peguei o rumo errado, mas qual foi essa bifurcação? Qual foi esse momento? Qual foi essa decisão errada? Não sei, talvez nunca saiba. Só sei que tomei a decisão errada, mas e daí? É certo que, infelizmente, em muitas vezes, pagamos o preço da decisão errada por muito tempo e isso nos assombra a noite. Mas, e daí? Posso conviver com isso, não posso?

Sabe aquele silêncio que nos envolve e nos deixa apenas com nós mesmos? (E com Deus, é claro). Então, dúvidas, incertezas, medos, arrependimentos e até mesmo vergonhas, vem nos assombrar e como assombram, mas não vamos partilhar, não vamos dividir com ninguém. São nossos segredos, apenas nossos. Permitamos que nos assombrem.
Temos justificativas para guardar nossos mistérios? Talvez sim, talvez não.
Talvez, em algum momento em nosso futuro, cheguemos a mesma conclusão dos nossos medos do escuro e falemos bem alto… Que idiotice!
Talvez fosse melhor botar para fora nossos segredos, mas como encontrar coragem?

E, acredito que não sou só eu, não é só você, somos todos. Uns com mais segredos, com mais medos, com mais decepções, outros com menos, mas todos nós temos nossas decepções e segredos que nos pesam em nossos corações.
Respiramos fundo, engolimos em seco, travamos os dentes para não chorar e fazemos de tudo para que não percebam.

Ah, esse sorriso no rosto, que tanto disfarça a dor.
Sabe aquela cara de felicidade? Apenas tentativas de esconder que as decepções da vida vieram me assombrar na última noite.
Sabe as palavras de esperança? Servem para tampar meus ouvidos dos sussurros que me entristecem e me decepcionam. Servem para fingir que está tudo bem, servem para me enganar da realidade triste. Servem para tirar o amargo da boca.

Sabe quando estou tentando te animar? Na verdade, estou tentando encobrir meu desânimo.
Sabe o sentimento exposto de vitória? Serve para amenizar o azedo da derrota.
Sabe quando me calo ao seu lado? Estou fazendo o maior dos esforços para não desabar.

Que tristezas e decepções a vida me trouxe. Esperava ter feito muito mais, queria ter feito mais, merecia mais, mas quem sou eu para avaliar o que eu merecia?
Sigo em frente, calado, com minhas tristezas e decepções guardadas no meu coração, na minha alma.