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segunda-feira 27 abril 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – Taubaté dos meus sonhos

Não sou daqueles que lembram dos sonhos da madrugada. Às vezes, tenho até raiva, gostaria de lembrar dos meus e isso é muito difícil de acontecer. Ouço pessoas contando sobre os absurdos que sonharam e sorrio sem graça, querendo, desesperadamente, pelo menos, imaginar o que sonhei. Normalmente um esforço desperdiçado, lembranças perdidas em um mundo em que não consigo penetrar. O que estará dentro das fronteiras desse mundo? Onde estará esse mundo? Não faço a mínima ideia.

Porém, existem os sonhos de olhos abertos e, isso, todo escritor conhece muito bem. Ah, como é fácil de sonhar de olhos abertos e, dias atrás, no meio dos meus devaneios, das minhas loucuras, me vi no meio de um belo sonho, de olhos abertos, com a minha Taubaté.

Para começar dirigia por uma bela e ampla avenida, com asfalto lisinho, e canteiros centrais separando as pistas. Nesses canteiros, grama curta, muitas árvores frutíferas com belos e coloridos pássaros desfrutando dos inúmeros frutos. Ciclovias margeavam o canteiro e, acredite, havia ciclistas circulando por elas e nenhum ciclista, absolutamente nenhum, seguindo pela rua, fora da ciclovia. Nessa Taubaté dos meus sonhos, havia faixas para os pedestres atravessarem as largas avenidas e bastava colocar o pé na faixa para que os motoristas parassem. E, incrível, por mais que seja difícil de acreditar, os motoristas quando iam fazer curvas ou mudar de faixa, sinalizavam com as setas. Nessa Taubaté dos sonhos, motoristas sabiam dar setas. E, mais incrível ainda, motoqueiros conheciam e respeitavam as leis do trânsito. O que mais posso querer? Para completar, andei por ruas de bairros e do centro e, em nenhum momento, ouvi buzinas e xingamentos. Ah, que coisa boa.

Em minhas voltas pela minha Taubaté, não vi desempregados, afinal, o último prefeito trabalhou para fazer crescer a cidade (sonho recheado de utopia), então fábricas e fábricas trouxeram muitos empregos e dinheiro para a cidade e, então, o comércio, em pleno centro da cidade, tornou-se pujante e também empregou muita gente. Com esses muitos empregos, bons salários, todo mundo comprando, comércio vendendo, fábricas produzindo e vendendo para os mercados interno e externo, as arrecadações excepcionais permitiram que a cidade crescesse e o tão esperado anel viário foi entregue a população, acabando de vez com o outrora caos no trânsito.

Essa minha cidade dos sonhos só ficou ruim para a bandidagem, afinal, carros e mais carros da polícia e da GCM circulavam o dia inteiro por toda a cidade, garantindo segurança ao cidadão de bem e acabou-se o tempo em que não podíamos andar com um celular sem correr riscos de ser roubados. Acabou a festa daqueles que roubavam um celular “apenas para a cervejinha”. Segurança nas ruas e casas, a bandidagem teve que desistir da vida de crimes. E não se tem mais notícias de tráfico de drogas. Já imaginou que maravilha?

No meio desse sonho de olhos abertos, vi diversos hospitais do SUS, revitalizados, limpos, higienizados e organizados, onde o cidadão era tratado com respeito e carinho. E, olha só, acabaram as filas. Ah, quase me esquecia de escrever, as UPAs estavam lindas, equipadas e, também, sem filas. Funcionários sorriam, empregos bem remunerados e com excelentes condições de trabalho. Ah, e diferente de hoje, haviam hospitais para os planos médicos.

Escolas municipais, espalhadas pela cidade, limpas, bonitas, equipadas, com poucos alunos por sala, dispostos a estudar e aprender; professores e funcionários felizes e bem remunerados, substituíam o já obsoleto e atrasado sistema de educação do estado. Agora, grande parte da população gostaria de poder dizer com orgulho que era um professor. E, importante, havia acabado a corrupção, o último político a ser pego cometendo atos inadequados, havia sido preso e condenado, de forma exemplar, a pagar, em regime fechado, por seus crimes.
Como nos sonhos de olhos fechados, acordei e me deparei com o abandono que nossa cidade enfrenta, que triste. Mas, ainda, amo minha Taubaté e sonho com o dia em que conseguirei vê-la da maneira que merece.