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segunda-feira 27 abril 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – Rodovia Dutra

A rodovia Dutra, inaugurada no início dos anos 50, pelo então Presidente Eurico Gaspar Dutra, é sinônimo de susto, medo, acidente, tragédia, enfim… e sempre foi assim. Me lembro quando pequeno que todos falavam dos perigos da via Dutra, cresci assim, cresci ouvindo isso, parecia que todos tinham medo da Dutra e, naturalmente, até hoje, sempre me preocupo quando tenho que pegar a rodovia. Era, praticamente, uma fala comum, a via Dutra é perigosa e pronto. E todos aceitavam isso e temiam a rodovia e, para mim, se tornou quase um trauma de infância. E não é só um mito, é um fato.

Uma das rodovias mais importantes do País, que liga as duas principais cidades do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, apinhada de enormes caminhões e carros, movimento intenso e, para piorar, o taubateano passou a usar a rodovia como se fosse uma avenida e, tenho que admitir, sou um deles. Trabalhando em plantões de imóveis, próximos à rodovia, fica muito mais fácil seguir pela Dutra do que enfrentar o trânsito travado (principalmente nos horários de pico) das ruas de Taubaté. As ruas Dom Pedro e Bandeirantes não dão conta, cheias de semáforos e entradas nas ruas, sem alças de acesso, o que resulta em riscos e trânsito absurdo, lento, travado. Sem contar o constante e perigoso atravessar de pedestres nas ruas.

E cadê a duplicação da rodovia? E cadê a Nova Dutra (concessionária da rodovia)?

Até quando teremos que conviver com a falta de duplicação que, somados à irresponsabilidade, imprudência e imperícia da maioria dos motoristas, resulta em graves acidentes e congestionamentos quase que diários. Quando a gente considera que a velocidade máxima na rodovia é de 110 Km/h, para veículos leves (muitos, comumente usam velocidades muito maiores), é muito difícil que um acidente não resulte em graves ferimentos.
E acontecem acidentes dos mais diversos, com caminhões, carros, motos e etc… Infelizmente.
E, para piorar, estamos aprendendo a conviver com as tragédias que ocorrem na Dutra.
— Ah, foi na Dutra…, lá é terrível mesmo. Não tem jeito.
Estão normalizando os acidentes, esquecendo que por trás de cada um deles, há pessoas perdendo a vida ou se machucando gravemente e destroçando famílias.

Algo precisa ser feito urgente. Vidas estão sendo ceifadas, pessoas sofrendo ferimentos graves que, muitas vezes, deixam sequelas terríveis. Precisamos de uma duplicação na rodovia e, também, arrumar as vicinais para que os taubateanos não precisem de usar a perigosa rodovia para ir de um ponto a outro dentro da própria cidade. Aliás, se entrarmos nesse assunto, teremos que falar sobre o anel viário na cidade. Quando sai?

Mas, como sair se a prefeitura está quebrada, falida, por sequências de má administração. Dívidas contraídas em administrações passadas atrapalham e muito o momento atual.
Quando será que vou ver um prefeito competente e interessado em resolver os problemas da cidade? E será que algum dia verei isso?

Para confirmar todo esse perigo da Nova Dutra e todo meu trauma de infância com a rodovia, semana passada, na segunda-feira, dia 01/12, pela primeira vez acabei me envolvendo em um acidente na temida rodovia. Resultado de usar a rodovia diariamente para ir e voltar ao trabalho, dentro da cidade. Graças a Deus, foi só prejuízo material, mas podia ter sido muito, muito, pior. Estava no sentido Rio – São Paulo e havia acabado de acessar a alça de acesso, perto da rodoviária nova, para entrar na cidade e minha velocidade era, mais ou menos, noventa por hora quando, de repente, o trânsito parou de vez. No susto, no reflexo, e com a ajuda divina, joguei o carro para minha direita, para não bater no caminhão baú (daqueles pequenos) à minha frente, e subi na calçada que tem no trecho da alça quebrando tudo por baixo do carro. O susto foi grande e o prejuízo também, mas não reclamo, agradeci muito a Deus por estar vivo e ileso.

Está mais que na hora de duplicar a rodovia Dutra.