Semana passada, 06/11, publicamos, aqui nesse espaço, o conto “O incêndio” e vamos agora para a parte II do conto. Vem comigo?
Lucy abriu os olhos e não entendeu o que estava acontecendo, sirenes, barulhos, choros, pessoas falando, luzes piscando em ambulâncias, carros de polícia e de bombeiros.
Havia um carro do IML também, o que estava acontecendo? Porque aquele monte de pessoas estava ali? Curiosos, e até reconheceu uma das mulheres, sua vizinha, aliás, a chata fofoqueira. Lucy a olhou e perguntou o que estava acontecendo, mas ela não respondeu, estava muito interessada em toda agitação e Lucy seguiu em frente. De repente, viu um homem alto, de boné, olhando para ela e sorrindo, mas logo imaginou, apenas um idiota querendo paquerar.
Desviou o olhar e chegou próximo a um bombeiro e viu outra vizinha, Elaine, que estava chorando. Lucy gostava dela, eram boas amigas e, às vezes, saíam juntas. Porque estava chorando? O que estava acontecendo? Pensou em ir até ela, mas observou que todos olhavam para um ponto e olhou também e não acreditou no que viu. Agora entendeu toda a agitação. Era a sua casa e tinha sido incendiada, deu um grito e correu em direção a ela. Ninguém a impediu de entrar, talvez os bombeiros e policiais soubessem que era a dona. Ela entrou e não acreditou no que viu e perguntou para um policial como havia ocorrido o incêndio. Ele apenas olhou para ela e seguiu em frente sem responder. Talvez fosse porque estivesse trabalhando ou talvez não estivesse autorizado a responder. Perguntou para outro policial que também não respondeu. Perguntou para um bombeiro, para outro, perguntou para um homem vestido de branco e ninguém respondia para ela. “Mas que merda é essa?” Ela gritou. “Eu sou a dona aqui…, alguém pode, por favor, me explicar o que aconteceu com minha casa?”
Ninguém respondeu e Lucy andou por dentro da casa incendiada, tudo destruído, o teto ameaçava desmoronar. Caos total, todas as suas coisas, sentiu vontade de chorar e chorou, mas não saíram lágrimas. Olhou a cozinha, quarto, todas as suas coisas, tudo queimado…, e ninguém dizia o que havia acontecido. “Vou procurar o chefe dos bombeiros ou o chefe dos policiais”. Quando saiu na garagem, o homem de boné estava lá dentro e continuava a olhar para ela e a sorrir. “Mas o que esse cara está fazendo dentro da minha garagem?”.
Saiu e passou sem problemas pelos policiais, mas eles não deixavam ninguém mais entrar, como o cara entrou? Já na calçada, viu novamente sua amiga Elaine e foi até ela.
— Elaine…, mas o que aconteceu aqui? Como que a minha casa pegou fogo?
A amiga chorava demais, lágrimas escorriam pelo rosto e ela não respondeu. Então viu outra amiga, a Vera, se aproximar e perguntar para Elaine.
— Amiga é verdade que a Lucy morreu no incêndio?
— Sim, é verdade Vera…
Lucy ouviu aquilo, sorriu e falou.
— Calma gente…, eu estou aqui…, está tudo bem comigo…
As duas continuaram a conversar entre elas e não deram atenção para Lucy. Então, a compreensão veio como um raio, ninguém conversava com ela, ninguém a ouvia, ninguém a via…, mais uma vez sentiu vontade de chorar e as lágrimas não apareceram. Por mais absurdo que parecesse, agora entendia tudo e começava a lembrar…, o ferro elétrico, o maldito vendedor, a tábua de passar roupa, o desgraçado do Amarildo, que ligara na hora em que estava passando roupa, o quarto pegando fogo, a cozinha, a panela com água, o fogo na bolsa, na camiseta, no cabelo, a camiseta no sofá que também queimava, as chaves, a explosão…, ficou tudo confuso para Lucy e pensou que ia desmaiar então uma pergunta veio a sua cabeça…, “Fantasmas desmaiam? ”Meu Deus! Eu sou um fantasma! Meu Deus, estou morta. Eu morri no incêndio! Tudo ficou claro, esclarecido, estava morta. E agora? Então, viu o homem de boné que olhava para ela e sorria. Ele estava na calçada e foi até ele.
— Você me vê?
— É Claro! Sou como você. Somos iguais, mas tenha calma vou te explicar tudo na parte III do conto “O incêndio”.
“Crônicas e Contos do Escritor”- O incêndio – Parte II
nov 20, 2025RedaçãoCrônicas e Contos do Escritor
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