Luzes quentes, intensas e cintilantes ofuscam minha visão como se fossem centenas de sóis ou talvez um pedaço do céu infindo recheado de estrelas em uma noite de verão, sem nuvens, e um turbilhão de pensamentos ocupam minha mente.
Peças de um grande quebra-cabeça dançam a minha frente em uma louca explosão de formas e cores. Um mundo utópico se desenha como se fosse uma vida pós catástrofe atômica.
Quem sou eu e quem são vocês?
Vejo danças elétricas, movimentos alucinados que contrariam os movimentos estratégicos e pensados de um jogo de xadrez. Não somos os peões, mas somos sacrificados em nome de um bem maior. Como se fossemos bois de piranha, somos jogados às feras e alimentamos a alma dos verdadeiros senhores.
Uma dança louca? Uma dança satânica? Nada mais do que uma dança de lobos selvagens querendo o sabor de nossa carne. O cheiro de sangue os atrai à um kilômetro de distância como se fossem tubarões ensandecidos em busca de vítimas.
Vejo incêndios, tsunamis e terremotos que trazem o que há de pior. Furacões dão o toque final em um cenário dantesco.
Imagens, sons, percepções. Nada que defina o dantesco.
Até a lua, envergonhada, pediu licença. Deixem Marte e Júpiter assumir.
O vazio do espaço promete preencher o imaginário popular e naves espaciais, vindas do além Andrômeda, descem por todo o mundo e os homens verdes chegam satisfazendo a curiosidade humana. Legiões de loucos pedem para serem levadas embora e como dizia, Raul Seixas na música S.O.S, “…Ô, o, seu moço do disco voador me leve com você prá onde você for, Ô, o seu moço, mas não me deixe aqui enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí…”
E o tempo relativo passa, conforme as palavras de Einstein e me pergunto o que significa tudo. Me pergunto qual a origem e qual será o final. O meio em que vivemos justificará tudo? Será?
O que você acha, o que eu acho, o que todos acham, nada importa, se é a força maior que vai definir tudo.
Um caleidoscópio insano produzindo padrões visuais simétricos e coloridos. Mas, ainda não tem o brilho dos cem sóis que me cegam.
Vejo objetos coloridos que giram ao redor do nada e em confusão do que é verdadeiro ou irreal só podemos culpar a mentira por não dizer a verdade.
Insanidade, ilusões de ótica, mente confusa ou apenas a falta de percepções reais?
Um cão late ao longe, o vento sopra e a madrugada faz o dia acordar. Um dia quente com suor escorrendo de um lado do mundo e frio congelando os ossos do outro lado. Antagonismos discrepantes e quem pode dizer o contrário? Já sei, acho que não sei, talvez seja ou nunca vai ser. A loucura se manifesta e toma conta de tudo. Precipícios aguardam suas vítimas, céus aguardam seus conquistadores e o fundo mar? Onde entra nessa loucura toda?
E por falar em loucura, onde estão as bruxas? Não venha me dizer que a inquisição as extinguiu.
Aí estão as bruxarias, magias negras, o indescritível e o sobrenatural. Quem acredita em quê? Como acreditar em algo no mundo da inteligência artificial?
Cadê a Bruxa de Portobello? Talvez, só o maravilhoso escritor Paulo Coelho possa nos responder. Eu, decididamente, não sei, ou melhor, não sei de quase nada, só sei que o mundo segue, caótico, perturbado, de cabeça para baixo e com valores invertidos, sabemos disso.
O bem virou mal e o mal virou bem e sigo em frente.
Respiro fundo, mergulho ao mais interior de mim mesmo, não sei o que procuro.
Encontro forças e volto à superfície para respirar.
Corajoso, persistente, talvez não muito inteligente, sigo minha vida em meu mundo irreal esperando a batalha final ou quem sabe, o Armagedom.






















