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segunda-feira 27 abril 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – Livros, livros e livros

Essa semana terminei de ler o meu primeiro livro de 2026, O Concorrente, um excelente livro (como sempre) do meu escritor mais que favorito, Stephen King.
Estou com uns dias de atraso, atualmente leio 15 livros por ano (e é pouco, já li muito mais) o que dá, na média, pouco mais que um livro por mês.
Vamos correr atrás do prejuízo. Trabalho difícil, né? Ler livros. Mas, para alguns parece ser.
Dias atrás, estava em uma sala de espera de um laboratório de análises clínicas em Taubaté e, é lógico, estava lendo esse livro, O Concorrente, quando percebi que alguém havia sentado ao meu lado, mas concentrado que estava em minha leitura, nem olhei para o alguém.

Sabe aquela sensação que você tem quando alguém está te olhando, te observando? Então, depois de alguns minutos, senti que a pessoa ali ao lado me olhava e me virei. Era um homem de, aparentemente, trinta anos que olhava meio que fascinado para a capa do livro. Ao perceber que eu o olhava, sorriu, e fez um comentário que, para mim, leitor assíduo, é um verdadeiro absurdo.
— Sabe, que meu sonho é, algum dia, ler um livro inteiro?
Eu o olhei como se fosse de outro mundo, um alienígena habitante de um planeta longínquo, ou, quem sabe, um louco fugido de um sanatório qualquer. Como era possível alguém falar aquilo? Com essa fala, pressupõe-se que nunca tenha lido um livro na vida. Como pode?
Estarrecido, perguntei.
— Como assim? Você nunca leu um livro inteiro?
— Nunca!
— Ué? E na escola? Nunca teve que ler um livro?
— Não. Ainda bem, porque detesto e, certamente, iria me ferrar todo.
— Mas, qual a dificuldade para você ler um livro?
— Não tenho paciência, é tudo muito parado, me dá sono, prefiro o movimento dos vídeos na tela do celular.
Nesse momento, olhei em volta e devia haver umas quatorze ou quinze pessoas no local, das quais, com exceção de mim e do rapaz com quem conversava, 100% delas estavam ao celular. Comecei a imaginar que o louco ou alienígena ali era eu. Balancei a cabeça desanimado e tentei voltar para minha leitura, mas confesso que não conseguia mais me concentrar, ainda não tinha me recuperado da conversa. Coloquei o livro na cadeira do outro lado e comecei a imaginar como era possível passar uma vida sem ter lido, só para citar alguns, um livro de Stephen King, J. R. Tolkien, J.K. Rowling, Philip Pulmann, Camila Lackberg, José Saramago, Paulo Coelho, Agatha Christie, H. G. Wells, Kafka, Orwell, Morris West, Veríssimo, Graciliano Ramos, Aldous Huxley, Frederick Forsith, Jorge Amado, Sidney Sheldon, Poe e etc…????
Sem contar o escritor J. Robson J., não tão famoso, é claro.

Poxa, quem não acompanhou a saga do bruxinho Harry Potter? Quem não viajou na saga do Senhor dos Anéis ou se intrigou com Código da Vince? Aliás, lá em cima não citei o autor desse último, Dan Brown, que não escreveu somente Código da Vince, e sim muitos outros.
Pensei nos quase quatrocentos livros que já li (devidamente listados e catalogados) e o pobre rapaz ali, nunca havia lido sequer um livro. Que vida desperdiçada!
Fiquei imaginando o que estaria acontecendo com as pessoas, como podem se entregar totalmente à maldita telinha do celular? Esse aparelho veio para nos ajudar, é uma evolução tecnológica, bem-vinda, claro, mas espera aí, tirar o prazer da leitura de um bom livro. Aí não!
De vez em quando, até vale olhar alguns vídeos, mas deixar de ler livros?
Olhei para o rapaz novamente e ele já estava completamente dominado, absorvido, pela tela do celular. O que vai aprender ali? Bom, cada um faz o que quer, a vida é feita de escolhas.
E eu vou começar a ler meu próximo livro, provavelmente, “O nome do vento”.