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segunda-feira 27 abril 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – Esse mundo moderno

Sempre me pergunto para onde esse mundo novo, esse mundo digital, vai nos levar. Algum dia terá fim essa transformação toda do mundo? Ou será que essa revolução digital ainda tem muito a ser descoberta? Credo! Onde vamos parar? Vai continuar sim, com certeza, para o bem ou para o mal. Muito do que é novo hoje, em breve será obsoleto, implacavelmente excluído. Esse mundo moderno, já acabou com tantas coisas boas (eram mesmo??). As conversas na frente de casa ao cair da tarde e começo da noite, das histórias de assombração, o terror estampado na criançada. Assustava, dava medo, mas era muito prazeroso. A falta de segurança e os celulares tiraram isso da gente.
Eu adorava as bancas de jornais e revistas, ficava fascinado com o colorido das revistas e impressionado com a aparência de inteligentes que os adultos ficavam ao ler jornais. Gostava de ver meu pai virando aquele monte de páginas do jornal. Como ele não se perdia naquele monte de folhas desajeitadas, enormes, e que a qualquer vento bagunçava tudo? Que pena, não existem mais os jornais físicos. E com o fim deles, consequentemente, veio a queda das bancas. Pouquíssimas delas sobreviveram e nem de longe lembram o brilhantismo de outrora.

Lembro das TVs, com botões para trocar canal e aumentar ou abaixar volume, com poucos canais abertos, praticamente foram eliminadas pelos canais fechados, restando poucos canais com credibilidade bastante duvidosa.

Nas faculdades era chique levar uma calculadora e se fosse faculdade de engenharia então, os alunos “ostentavam” suas HPs. Oh, tempo bom. Hoje, a grande maioria dos estudantes tem suas HPs nos celulares. Que graça tem? E o dicionário do Aurélio? Todo mundo tinha um em casa, mas agora temos os Apps dos celulares e, para piorar, ainda temos a famosa (e preocupante) inteligência artificial. Até onde ela vai? Terá limites? Será que os cientistas estão considerando os riscos implícitos nas IAs? O celular pode ter vindo para o bem, mas ferrou com muita coisa, como despertador, rádio relógio e etc… Eu adorava dormir ouvindo música no meu poderoso rádio relógio, que ficava no criado ao lado da cama. Ele me dava as horas em enormes números vermelhos que brilhavam na escuridão. Maravilhoso! Eu adorava!

Acabaram as famosas folhinhas de calendário. Para quê folhinha pendurada atrás da porta ou na geladeira? Tenho no meu celular. Quem nunca teve um calendário da Pirelli?

Conversar com os amigos? Para quê? Os vidêozinhos das redes sociais são muito mais divertidos. Às vezes, me pego lembrando dos orelhões, das filas e das fichas, bom, aí acho que foi bem-vinda a chegada do celular. E é incrível, o celular chegou ao cúmulo de acabar com as conversas telefônicas. Para que ligar? Podemos conversar pelo aplicativo de mensagem.

Aliás, o que menos fazemos no celular é ligar para alguém. E posso até dizer que o celular danificou nossas memórias. Antigamente sabíamos de cor os números de telefone de todo mundo e, hoje, mal lembramos de nosso próprio número. E para quando nossa memória falhasse, tínhamos a tradicional agenda telefônica. Outro item que o celular mandou embora.

E a lista não para, até lanterna o celular tem. Tem plataforma de filme, de música, bloco de notas e lembretes, tem jogos, tem tudo no danado do aparelhinho. Dá até para jogar xadrez à distância com quem nem conheço. Por culpa disso, já sofri derrotas humilhantes, Afff. Sem contar os infindáveis e incalculáveis APPs. Até nossa conta bancária e transações financeiras fazemos por esse aparelhinho safado.

A lista não para. Comodidades e comodidades que, aos poucos, vão queimando nossa capacidade de pensar e de fazer coisas. Oh, mundo moderno.

E agora vemos um aumento absurdo de bons filmes nas plataformas de streaming. Será o fim das salas de cinema como conhecemos? E até o livro físico esse mundo moderno, digital, quer acabar. Tem até aparelho eletrônico para ler livros, mas nessa não entrarei, até quando puder.

Não abro mão do livro físico, do cheirinho do livro novo e da beleza das capas.