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segunda-feira 27 abril 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – É preciso ter cuidado

É engraçado (e até perigoso) como as pessoas mudam seus comportamentos, seus princípios e até mesmo sua atenção e ações quando impulsionados por uma massa de gente (ou seria apenas curiosidade?). Se tiver um líder então, a coisa complica mais ainda e é aí que ocorrem brigas de torcidas, revoltas, rebeliões, motins, greves e etc…
Recentemente, talvez dois ou três meses atrás, vi em uma rede social um vídeo muito interessante no qual uma professora falava exatamente sobre a mudança de comportamento de algumas pessoas quando motivadas e ou influenciadas por outras.

No vídeo ela combinava com a classe que quando entrasse um aluno atrasado e desavisado ela perguntaria a cor de uma pasta que estava em cima da mesa e todos deveriam responder que a pasta era azul quando, na verdade, era verde.
Quando chegou o aluno atrasado, ela começou a perguntar para alguns alunos na sala que cor era a pasta e, conforme combinado, todos iam respondendo que era azul.

O aluno desavisado, quando ouviu a primeira resposta, sorriu. Mas, com a continuidade de todos respondendo errado, ficou visivelmente desconfortável, até que a professora perguntou para ele que cor era a pasta aí o desconforto aumentou e meio hesitante, respondeu que era azul. A sala toda caiu na gargalhada.
O aluno sabia que não era azul, mas como todos responderam errado, acabou sendo influenciado e, para não criar polêmica, talvez por medo de ser ridicularizado, preferiu acompanhar a classe e disse que a pasta era azul, mesmo sabendo que era verde.

Achei esse vídeo muito interessante e havia decidido que qualquer dia escreveria sobre aquele tema, mas os dias foram passando, fui me esquecendo e, agora, depois de ver as tristes imagens de uma violenta briga na Argentina envolvendo torcedores de um time argentino e de um time chileno, resolvi escrever.
O vídeo dessa professora é uma prova do quanto algumas pessoas se deixam influenciar pela maioria, tornando-se vítimas fáceis de manobras políticas, de mídias mal-intencionadas e etc…
Eu mesmo me vi em uma situação em que fui induzido pela maioria.

Há uns oito ou dez anos eu estava na bela praia do Tenório. Era uma tarde de sol, mas havia algumas nuvens no céu que “escondiam” o sol de vez em quando.
Praia cheia, crianças chorando, outras berrando, mães xingando, pais enchendo a cara, criançada correndo, gente falando, uns idiotas com som alto, gente entrando na água, gente saindo, dois ou três casaizinhos de namorados se beijando, se abraçando, carrinho de sorvete, de espetinho, toma um punhado de amendoim de graça, uma meia dúzia de bêbados, enfim…, um dia normal na praia.

De repente vi um casal olhando para cima, apontando e conversando entre eles. Dei uma rápida olhada para o céu, nada vi, e logo minha atenção foi desviada. Meio minuto depois, outras pessoas começaram a olhar para cima e logo outras e, confesso, minha curiosidade aumentou. Mas, que diabos? O que era que estava lá em cima chamando a atenção das pessoas?

Tentei resistir, mas alguns adolescentes começaram a olhar e procurar e não me aguentei. Levantei da confortável cadeira de praia, coloquei minha lata de cerveja ao lado e caminhei na direção do pessoal que olhava para cima. Durante alguns segundos, procurei, por entre as nuvens o que chamava tanto a atenção do pessoal. Algumas pessoas desistiam e saíam dali. Insisti por quase um minuto quando vi que o casal que tinha começado tudo saía rindo.
Me senti um perfeito idiota. Saí e algumas pessoas ainda continuaram, algumas por mais de três minutos depois que o casal havia sumido.

Enfim, somos extremamente influenciados pelos que estão à nossa volta.
É preciso ter cuidado.