Nessa quinta-feira levantei animado, finalmente um dia de folga. E olha que dizem que corretor de imóveis não tem folga. Oh, meu Deus do céu.
Às 6h o despertador do celular tocou. Era hora de ir sofrer e me torturar um pouco no pilates. Verdadeira seção de sofrimento. E sabe o que é pior? Eu pago para sofrer, e não é barato a mensalidade do pilates. É mole?
Bom, terminado a seção de tortura, junto meus restos, saio me arrastando e, com muitas dificuldades, dirijo para minha casa. Não é fácil, principalmente porque meu carro não é automático e toma dificuldade para pisar na embreagem. Chego em casa e, graças a Deus, meu portão é automático, o que facilita muito. Gemendo de dor nos braços, nas pernas, na panturrilha, na barriga, no traseiro e sabe Deus onde mais, me arrasto para fora do carro e entro em casa, rezando por um banho que me dá a sensação de recuperar um pouco. É lógico que as dores musculares vão persistir por mais um ou dois dias. Natural. E tem os malucos que dizem que pilates é só alongamento. Vai nessa! Banho tomado, as coxas doem terrivelmente e lá vou eu para meu dia de folga no serviço, então!
Com uma careta, dou uma olhada para o cesto de roupas e, lembrando que hoje é meu dia de folga e que mereço tomar um café da manhã tranquilo, o levo para perto da máquina de lavar. Coloco toda a roupa lá, sabão em pó, amaciante, ligo a máquina e volto para dentro.
É meu dia de folga e vou aproveitar para colocar a louça em dia, a pia está gritando por socorro, sufocada por tanta louça suja. Coitada. Nada que 30 ou 40 minutos não resolva.
Aproveitei, já que estou de folga, e vou arrumar o quarto, principalmente o armário e o guarda-roupas e lembrando que ainda não tomei café. Quase terminando de arrumar o quarto, o celular começa a gemer, são clientes querendo informações dos imóveis, dos contratos a assinar, enfim. Falo com um, dois, três, quatro clientes, agora é o gerente que me pede algo em um áudio. Com a voz meio sem graça porque sabe que é meu dia de folga. Pergunta três ou quatro coisas, me pede outras três ou quatro coisas, mas me diz que não precisa pressa, afinal, hoje é meu dia de folga.
Termino de falar com o chefe, atendo outro cliente, escutando a barriga roncar de fome, volto a arrumar o quarto e quando termino de arrumar, falo para mim mesmo. Finalmente vou tomar meu café. Caminho para a cozinha e escuto o som da máquina de lavar terminando o ciclo da lavagem. — Putz, preciso estender as roupas.
Lá vou eu, muito feliz, com dores pelo corpo, estender as roupas.
Serviço terminado e volto para a cozinha pensando no meu café. Mais mensagens de texto de clientes, mais mensagens de texto e áudios do chefe e penso, mais uma vez, no meu café.
Termino de responder todas as mensagens e olho para a pia, olho para o fogão, olho para o escorredor de louças. Não, não, decididamente não vou sujar louças, é meu dia de folga.
Pego as chaves do carro e saio em direção à uma padaria, não tão perto de casa, mas é a que eu mais gosto. Lá, eles fazem o melhor misto quente, com ovo frito, que conheço.
Chego à padaria e faço o pedido do meu lanche favorito e peço, também, um café com leite, mais pra “branquinho”. Meu favorito. O celular insiste em gemer na mesa, insisto em não atender. Tenho que conseguir não atender, pelo menos, pelos próximos quinze minutos. Quero tomar meu café tranquilamente, já que hoje é meu dia de folga.
Terminei de tomar o café, finalmente. Penso em ir para o shopping passar um dia sabático, mas me lembro das mensagens pendentes no celular e lembro que tenho de fazer almoço, almoçar, lavar as louças, enxugar e guardar.
Tenho que preparar os relatórios que o chefe pediu e lá vou para casa, preocupado com clientes, chefe e relatórios.
Depois de almoçar, lavar, enxugar e guardar tudo, olhei nas horas e já são 15h30. Vou fazer os relatórios. Tarde acabando. Graças a Deus, no dia seguinte, só vou trabalhar.






















