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segunda-feira 27 abril 2026
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“Crônicas e Contos do Escritor” – Ciclovias

Alguns anos atrás, quando começaram a implantar as ciclovias em Taubaté, achei fascinante a iniciativa. Finalmente os ciclistas poderiam circular com mais segurança e fui um ferrenho defensor da ideia e queria que se estendessem por toda a cidade. Até parecia coisa de país de primeiro mundo. Olha que chique! Ciclovias!
Inocente como sou, acreditei que serviriam para os ciclistas circularem, com segurança, essa seria sua função. Os ciclistas sairiam das ruas para trafegarem pelas ciclovias.
Ótimo! Parabéns para a cidade de Taubaté!

Sim, as ruas ficaram mais estreitas, mas tudo bem, pelo menos, os carros poderiam circular pelas ruas sem o medo e o risco de atropelar um ciclista mais distraído, o que tornaria o trânsito mais confortável e seguro.
Mas, me esqueci que em Taubaté tudo é diferente. Em semáforo vermelho não precisa parar, no amarelo é para acelerar, vias preferenciais não precisam ser respeitadas, existem donos das ruas e eles podem andar, no meio, lentamente, travando o tráfego em ruas e avenidas, não precisam sinalizar suas curvas e mudanças de faixas. Os motoqueiros (não estou me referindo à motociclistas) não precisam respeitar as leis do trânsito, pedestres não precisam circular pelas calçadas, podem caminhar livremente pelas ruas e também os ciclistas não precisam, não devem, circular pelas ciclovias.
Mas, que esquecimento meu. Taubaté é uma cidade atípica.

Como resultado da disponibilização das ciclovias, se estreitou as ruas, mas isso era para que os ciclistas tivessem mais segurança, porém, os mesmos não usam a ciclovia e continuam a circular pelas ruas complicando ainda mais o trânsito.

Sinceramente, gostaria de saber o que passa na cabeça desse ser que acha que pode andar com sua bicicleta pelo meio das ruas, no meio dos carros, com a ciclovia ali do lado, feita especialmente para ele. Aliás, adoram andar um ao lado do outro, dois ou até três ciclistas, impedindo a passagem de veículos com velocidade maior e os motoristas de carro tem que exercer sua paciência e esperar para poder ultrapassar os infelizes que, muitas vezes, ainda olham rindo para os motoristas. Se divertem com o fato de travar o trânsito.

Quem circula, por exemplo, pela avenida José Vicente de Barros, na Vila São Geraldo, sabe o que estou falando. Ali, quase ninguém usa a ciclovia.

Então, para que fazer a ciclovia? Qual a utilidade? Se o ciclista vai para o meio da rua, que já é estreita, complicar o trânsito, se expor ao risco de um acidente e atrapalhar a vida de todo mundo. Mas, cadê a fiscalização? E como fiscalizar?

Se não há fiscalização adequada para carros e motos, como querer para bicicletas?
Em Taubaté, os motoqueiros (não os motociclistas) não respeitam nada. Está difícil circular pela cidade. Os perigos e riscos são constantes, eles surgem do nada, por todos os cantos, aparecem na sua frente saindo até de cima das calçadas. Andam pelo meio dos carros em alta velocidade, ziguezagueiam à vontade, e, pior, por qualquer coisa querem afrontar e brigar com os motoristas de carro (que também não são santos). Resumindo, parece uma terra sem lei.

Bom, não seria redundância dizer que nossa cidade é uma terra sem lei? Podemos perceber pela quantidade de homicídios que ocorreram na cidade nos últimos meses. A cada dia vemos as notícias de um novo assassinato, de uma nova execução e qualquer um pode perceber que a venda de drogas, em plena luz do dia, é algo muito comum.
Algum tempo atrás, constantemente, víamos as viaturas policiais circulando pelas ruas da cidade. Isso nos dava uma maior sensação de segurança e intimidava a bandidagem. Tínhamos a “Atividade delegada” e nos sentíamos mais seguros. Mas, cadê?

Está na hora do Taubateano gritar mais alto, exigir melhorias na cidade. Precisamos, mais que nunca, de maior segurança e um trânsito melhor.