Há dias em que o céu parece apenas um teto distante. Em outros, porém, se transforma em um espelho onde a alma encontra descanso, só precisamos observá-lo, contemplá-lo e se derreter e deleitar com a bonita visão de um céu azul.
Basta erguer os olhos para perceber que o azul nunca é exatamente o mesmo, muda com a hora, com o vento, com a estação e, sobretudo, com o estado do nosso coração.
Quando criança, acreditava que o azul era infinito e guardava segredos e mistérios e imaginava que, quando as nuvens apareciam, por trás delas, moravam sonhos, anjos e estrelas adormecidas esperando a chegada da noite.
Cresci e por um bom tempo esqueci da magia de olhar para o céu azul, acumulei bens materiais, contas, decepções e preocupações, mas o céu permaneceu ali, como sempre azul, paciente, esperando que eu voltasse a acreditar na magia de olhá-lo, de admirá-lo.
O azul do céu não faz barulho, não se manifesta e não disputa espaço com alguém ou algo, não exige aplausos. Simplesmente, está lá, apenas existe oferecendo sua imensa serenidade a quem ainda sabe parar por um instante para admirar sua magia e se encontrar com o divino. É um silêncio pintado de esperança, de imensa felicidade, quase como dizer que é uma comunhão com Deus, um encontro com o onipotente.
Talvez, seja por isso que, depois de uma tempestade, ele pareça ainda mais bonito, mais tranquilo, mais mágico.
As nuvens e as consequentes chuvas, depois de lavar o mundo, vão embora levando consigo excessos e tristezas. O azul reaparece como quem sussurra que nenhuma tristeza é eterna. Há sempre um pedaço de claridade esperando a sua vez. O coração se alegra, a vida parece melhor do que antes e a alma fica mais leve. Basta um olhar para o céu azul para que a, necessária, paz de espírito nos envolva por completo.
Os pássaros conhecem esse segredo, conhecem a magia e, logo após as chuvas, as tempestades, voam alegremente com energia renovada. Deslizam por esse oceano suspenso como se conversassem com o infinito, como se conversassem com o divino, voam e cantam cada vez mais alegres. É como se cada voo, cada pirueta, cada acrobacia, pareça uma pequena oração escrita sem palavras.
Olho a alegria dos pássaros sob o céu azul e, acreditando estar preso ao chão, esqueço que também posso voar, não com asas, mas com a imaginação, com a fé, com o coração e com a capacidade de recomeçar.
O azul do céu nos ensina que sua grandeza não precisa de arrogância (infelizmente, o que mais vemos hoje em dia), não precisa gritar para chamar a atenção, não precisa de mentiras ou de violência.
O céu é gigante, infinito, abraça montanhas, rios, cidades e pessoas e, mesmo assim, da forma mais humilde, sem estardalhaço. E, a nós, é permitido escolher se queremos sua luz ou sua sombra. Aliás, para nós, é permitido escolher entre abaixar a cabeça e se lamentar da vida ou erguer a cabeça, colocar um sorriso no rosto, e olhar para o infinito agradecendo pela sua existência.
A escolha é sempre sua.
Talvez, a felicidade seja um pouco parecida com esse azul, está acima de nós o dia inteiro, mas só se revela quando encontramos tempo para levantar a cabeça. Talvez, a felicidade esteja muito mais próxima de nós do que imaginamos. Talvez, basta um olhar diferenciado. Talvez, basta admirar o céu azul, agradecer e sorrir.
No fim, descobrimos que o céu nunca mudou, fomos nós que mudamos. E, sempre que recuperamos a delicadeza de contemplá-lo, uma parte esquecida da infância volta a respirar. O azul continua lá, infinito e generoso, lembrando que a esperança também tem cor.
_________
por J. Robson














