Tristão, amante da rainha Isolda, esposa do Rei Marcos, tio do herói, é personagem de uma lenda de origem celta. Na França, ele tornou-se conhecido a partir dos Tristan de Béroul e Thomas ( séc. XII), dos quais só fragmentos chegaram até nós, e pelos poemas de Marie de France ( séc. XII).
Em 1900, Joseph Bédier (1864-1938) conseguiu recompor esse belo conto de amor e de morte que alimenta a memória ocidental.
Tristão é inicialmente um herói exterminador de monstros, aparentado com Teseu e Perseu. Salva a Cornualha do gigante Morholt e, abatendo um dragão, consegue para o Rei Marcos a filha do rei da Irlanda. Encarregado de levar a loura Isolda para a Cornualha, ele bebe por engano o filtro do amor: esse veneno torna os dois inseparáveis durante três anos; tão indissolúvel é a ligação, que eles não podem ficar separados por mais de três dias, sob a pena de morrerem.
Uma artimanha permite a Brangien, a acompanhante, tomar o lugar de Isolda no leito do rei na noite de núpcias, e isso permite aos amantes escapar, por alguém tempo, dos traidores que os espionam, orientados pelo abominável Frocin, o anão. No final da história, os dois são enterrados pelo Rei Marcos, de cada lado da capela; mas crescem sarças das duas sepulturas e se juntam.
Esta lenda é tomada de empréstimo ao maravilhoso que envolve a chamada matéria da Bretanha: ilhas encantadas, onde fadas curam miraculosamente heróis, viagens em barcos sem remos nem velas, monstros a afrontar, evocações da lenda arturiana.
Em O amor no Ocidente, o pensador francês Denis de Rougementt (1906-1985) mostrou como a história de Tristão e Isolda criou o mito da paixão amorosa, ao mesmo tempo inocente e culpada, involuntária e destrutiva, contrária à ordem social.
Prof. José Pereira da Silva






















