Esse personagem foi criação de Mary Shelley (1797-1851), mulher do grande poeta inglês Percy B. Shelley (1792-1822). Trata-se do personagem-título de Frankenstein ou O Prometeu moderno (1817), romance cuja história se desenrola no século XVIII.
Victor Frankenstein é um jovem exaltado, que fez brilhantes estudos científicos e considera o mundo um mistério que deseja desvendar. Toma, então, a resolução de criar a vida in vitro. Coroando suas pesquisas, consegue criar, a partir de pedaços de cadáveres, uma criatura de aspecto monstruoso, que ele anima mediante a aplicação de cargas elétricas, e da qual termina por fugir aterrorizado.
Abandonada, a criatura sem nome não cessará de perseguir o ingrato criador. O romance narra os crimes cometidos e os prejuízos causados pela criatura sem nome, antes do desfecho, que ocorre no Pólo Norte, onde o cientista vai morrer extenuado. O romance termina com o adeus da criatura, que, finalmente vingada, não demora a desaparecer ao longe nas trevas.
O valor desse romance fantástico reside no encontro, estranho e inquietante, dos dois personagens. Com exceção do prólogo e do epílogo, o romance é o relato autobiográfico de Victor Frankenstein, feito pouco antes de sua morte: é a confissão de um sábio apaixonado, cuja existência foi perturbada pela extraordinária experiência que realizou. O romance é uma reflexão da condição humana.
A monstruosidade da criatura vem do fato de ser privada de amor. Victor, vencedor. Titã moderno, ele desrespeita o proibido: pretende ser um demiurgo, um ser divino, e, como seu antecessor mitológico, será castigado.
Formada na ideologia das Luzes, Mary Shelley apresentou um quadro das aspirações de progresso características de sua época. O romance também mostra que, ao aspirar à condição de super-homem, o ser humano termina por se tornar inumano. Entre as obras que herdaram algum traço de Frankenstein, podemos citar: o Fausto, de Goethe; A ilha do Dr. Moreau, de H.G. Wells; O Golem, de Gustav Meyrink.
Prof. José Pereira da Silva






















