É sempre necessário o silêncio interior e exterior para que possamos nos ouvir em profundidade. O que é algo particularmente difícil em nosso tempo. É uma época na qual não favorece o recolhimento. O recolhimento é fundamental para o silêncio interior. Temos a impressão que as pessoas tem medo de se separar do rio dos sons, ruídos e imagens que marcam o cotidiano.
É só no silêncio que podemos escutar nosso interior. O silêncio é capaz de escavar um espaço interior no nosso íntimo. É importante apreender o silêncio, a abertura à escuta, que nos abre ao que tem de profundo e verídico em nós como também nos abre ao próximo. O silêncio deve nos dispor à escuta interior.
O silêncio não é vazio. É onde cabe o que não tem palavra.
Em nossa sociedade que vive no frenesi a exterioridade ganha espaço e infelizmente a interioridade acaba no segundo plano. O silêncio interior quer nos lembrar que temos uma interioridade que precisa se conhecida e escutada.
Quando o sujeito não faz o silêncio interior e não escuta o que habita em sua interioridade a vida pode perder a coesão o que pode levar a desagregação.
O silêncio interior significa darmos espaço em nós para o crescimento interior. Silêncio para escutar até o fim as perguntas que nos habitam. Não dar espaço ao silêncio interior e a consequente escuta pode levar ao empobrecimento da vida.
O silêncio interior é indispensável a nossa existência humana. É através do silêncio interior que podemos ter uma escuta efetiva da nossa realidade interior e exterior. O silêncio interior traz qualidade e significado à vida.
Dar espaço ao silêncio interior é ter um encontro profundo conosco próprio. O silêncio interior é um ato de coragem de ouvir os desejos profundos, as dores ignoradas ou silenciadas, as coisas não resolvidas.
O silêncio interior é uma dimensão da linguagem, do inconsciente. Pois a linguagem pressupõe a pausa e o intervalo. O silêncio aponta para o indizível, aquilo que não cabe ou que ainda não encontrou forma na palavra. Pois devemos pensar que nem tudo o que opera no psiquismo é articulável de imediato. Por exemplo, o trauma, o afeto, o sonho ou a angústia apresentam como uma interrupção do discurso ou mudez.
O silêncio não é apenas a ausência de palavras. Entre pensamento, afetos, linguagem e o mundo, existem espaços que em sempre conseguimos nomear. No silêncio interior cria-se condições para aquilo que parecia indizível encontre uma forma de ser dito.
O barulho muitas vezes atordoa e nos distancia de nós mesmos e dos outros. Não ouvimos a nós mesmos e nem aos outros. Através do barulho e dos ruídos o sujeito foge de si mesmo. O silêncio interior vais nos capacitando de ouvir à voz profunda que habita nossa vida.
O silêncio interior é um processo que vai nos permitindo um encontro rela conosco. É um silêncio que por que qualidade ajuda a construir a pessoa. Um silêncio que acolhe em profundidade a vida com seus desafios e ambiguidades.
O silêncio faz parte íntima da pessoa mesmo que ela não perceba. Na pessoa mesmo que aja verborragia tem uma parte dela que permanece em silêncio. O silêncio interior é uma capacidade que ajuda-nos a abraçar a vida escutando-a em seus meandros mais profundos e não visíveis.
O silêncio interior é um caminho para o auto-encontro, um estar em si. Ir em busca dos fundamentos do seu próprio eu. Muitas pessoas fogem de si mesmas. O silêncio interior não se resume em se calar num ambiente sem barulho porém significa não fugir de si mesmo e de se suportar como se é.
O silêncio interior pode revelar a confusão interior e psíquica, o caos dos desejos e pensamentos. Revela as tensões interiores que não se quer mexer. É ir tendo a consciência do que acontece dentro de nós. O silêncio interior ajuda o sujeito a ter uma distância de seus medos, ressentimentos, raivas. Esse silêncio permiti entra em si e se conhecer. Nos dá inteligência do que nos habita e influencia nossa vida. O silêncio interior ajuda a percebemos nossas emoções e seu real significado.
Enquanto o barulho pode nos distanciar de nós mesmos, o silêncio interior pode nos aproximar de nós mesmos sem subterfúgios. Olhamos para nós mesmos e lentamente vamos nos confrontando com tudo aquilo que vamos descobrindo em nosso interior. Ele revela nosso estado interior.
Prof. José Pereira da Silva














