A morte é o sinal por excelência da fragilidade humana. Cada pessoa traz dentro de si o sentido do eterno, a ânsia de eternidade, e todavia é obrigado a constatar a inexorável presença da morte como aquilo que se opõe fortemente à sua vida.
Um olhar naturalista, pode ainda admitir que a finitude humana é, de alguma forma, uma necessidade biológica, como o é para toda a criatura; mas essa justificação não extingue dentro de nós o sentimento de que a morte, precisamente por não permitir que algo de nós permaneça para sempre para sempre, ameaça fortemente o sentido da vida.
Cada pessoa , debaixo do sol, encontra sentido na medida em que sabe viver dos gestos que permanecem no tempo.
Existe uma reflexão que toda pessoa faz desde sempre e em todas as culturas: viver é amar.
É justamente porque a vida tem um ponto final que os projetos, os amores e as escolhas ganham sentido e urgência.
A finitude humana tem uma profundidade psíquica, existencial e espiritual.
A morte , por exemplo, de um ente querido, ela interrompe, o nosso mundo. Ou seja, aquela totalidade da nossa experiência dotada de sentido se quebra. O que entra em colapso não é a realidade empírica. O que entra em colapso é a nossa narrativa, a nossa experiência cotidiana, aquilo que nós articulávamos como o que queríamos.
O desejo humano não conhece o fim, por outro lado, o corpo humano é finito: ele nasce, cresce, envelhece e morre. O que confronta o desejo.
Diante da perda de um ente querido, experimentamos a finitude de forma bem concreta. Aqui o luto se instala e ganha centralidade. O luto não é apenas um sofrimento, é um processo psíquico no qual o sujeito reorganiza suas relações com o mundo após uma perda. O luto significa integrar a morte simbolicamente à vida do sujeito.
A morte do outro nos traz a consciência da finitude e mortalidade, produz uma ruptura o que traz uma interrupção das expectativas, histórias e narrativas que sustentam o sujeito.
Em algum momento de nossa vida, o limite da nossa criaturalidade se apresente diante de nós, com toda sua fragilidade e mortalidade.
A experiência da morte evidencia a finitude e temporalidade do humano. A realidade da morte ao mesmo tempo em que denuncia a relatividade de toda materialidade da vida aponta para realidades existenciais bem mais elevadas. A finitude e sua marca fundamental a morte ensina que o fundamental da existência reside no amor, bem maior e fim último de todo caminhar humano.
O ser humano é finito, mas tudo isso é a sua riqueza, sua grandeza, justamente porque esse limite é a via de acesso ao infinito de Deus. A possibilidade da vida em plena união com Deus. A finitude ensina-nos a viver com mais propósito e significado. Valorizar cada momento da vida. A finitude dá valor a vida.
Prof. José Pereira da Silva














