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sábado 17 outubro 2026
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Fé e Razão – Educar o olhar: reaprender a viver a essencialidade da vida

Fé e Razão – Educar o olhar: reaprender a viver a essencialidade da vida

Vivemos numa sociedade atenta as grandes coisas e míope para as pequenas e essenciais coisas da vida.

Falta a admiração! Abrir-se ao mistério para que ele possa nos atingir e nos transformar. Olhar uma rosa com admiração revela que não é simplesmente uma planta; nela captamos o mistério do amor, da beleza , da singeleza.

As coisas comuns, obvias adquirem significado novo e pleno quando as vermos em uma nova luz. Jesus Cristo pedia : olhai os lírios do campo (Mt 6, 28), porém com novo olhar. Fujam da superficialidade do olhar desatento.

Descobrimos esse encanto nas coisas cotidianas do mundo. Deus nos presenteia todos os  dias com pequenos presentes de carinho com milagres cotidianos. Porém muita gente não percebe, ou quando percebe é tarde demais. É preciso educar o olhar e despertar a admiração.

Ter admiração é descobrir o encanto das coisas em sua simplicidade; a redescoberta de uma dimensão essencial da nossa realidade.

Tudo nos fala do mistério de nossa vida, que excede a utilidade e o propósito.

O mundo visto pelos olhos da admiração nos fala do mistério da nossa vida, que buscamos viver diante de Deus e com Ele e nele.

Ver o mundo com outros olhos é reconhecer a essência das coisas. Infelizmente vivemos numa sociedade que em muitas situações perde a essência das coisas. É indagar as coisas cotidianas. A realidade deve ser preenchida de significado e não esvaziada.

É vermos e fazermos numa nova perspectiva o que vivenciamos cotidianamente.

É um encontro com nosso mistério mais profundo que quer nos encontrar e tocar em tudo que existe. É beber a essência das coisas.

É ver com olhos capazes de uma lógica de cuja profundidade  muitas vezes se perde numa sociedade afogada pela superficialidade e materialismo.

É retornar à essencial substância da vida humana. O itinerário da vida do ser humano é um caminhar, por vezes lento e penoso, em busca de fontes de vida. É fugir de uma existência desumana. A essência das coisas é a sua bondade. É saber distinguir o essencial. Está centrado em valores.

Olhando para nós mesmos, sentimo-nos complicados. Sentir-se complicado é sentir-se com dificuldade de integração consigo mesmo, com os outros e com Deus.

É buscar a própria singularidade e escutar o que existe além das exigências externas. A riqueza não é o que temos e sim o que carregamos dentro de nós.  É ter sentido que vai além de acumular conquistas externas ( bens, status e validação social) e procurar viver com coerência interna. Ter coragem de habitar a própria verdade.

O essencial não pode se resumir ao óbvio e calculado com as métricas materiais. Viver o essencial demanda desacelerar para se escutar, respeitando o próprio tempo e fugindo de respostas prontas. Ter uma tranquilidade interna e ter contato com o núcleo de ser autêntico. O sujeito se encontra consigo mesmo.

Renunciamos à multiplicidade de coisas e nos concentramos no essencial e singular. É preciso abrir os olhos e abrir o coração, e é preciso prestar a atenção, perceber o interior das coisas. Ter admiração é fundamental para ver o mundo como milagre.

O homem faz muitas coisas, em si bastante diversas. Não lhe é dado fazer sempre uma só coisa, embora ele tenha no íntimo o desejo, talvez inconfessado e semiconsciente, de fazer sempre essa única coisa, na qual valha a pena aplicar fadigas, suas forças e o amor do coração.

O que é a simplicidade? É a experiência da essência, da união, da comunhão, da verdade, da bondade. Os simples caminham no mistério. O complicado desfaz-se sem nexo; o simples mantém-se na unidade e na identidade.

Ter a persistência da valorização essencial das coisas pessoais. É fundamental recuperar o contato com o essencial da vida humana. Recuperar o contato com a densidade elementar e biográfica da existência humana, com todas as suas limitações e ambiguidades.

Somos chamados a reaprender a viver da essencialidade da vida!

Prof. José Pereira da Silva