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terça-feira 5 maio 2026
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Comunicação 360 – Networking: o terror dos introvertidos

Você chega no evento, olha ao redor e já começa a pensar em uma rota de fuga. Mão suada, cabeça acelerada, aquela sensação de que todo mundo parece saber exatamente o que fazer… Menos você.

Enquanto algumas pessoas circulam com naturalidade, puxam assunto, trocam contatos, você se pergunta: “o que eu faço aqui?”. E, muitas vezes, acaba ficando de canto, torcendo para o tempo passar.
Esta é uma cena comum para um introvertido.

Mas a verdade é que o networking não tem a ver com uma performance social constante, cheia de interações forçadas, apresentações formais e necessidade de “se vender” o tempo todo.
Não é sobre ser a pessoa mais comunicativa da sala, nem sobre colecionar cartões de visita e muito menos sobre ser interesseiro.

Networking, na prática, é outra coisa.

É sobre mapear as pessoas que fazem sentido para a sua trajetória e construir, com elas, uma relação de troca ao longo do tempo.
E essas pessoas podem ter papéis diferentes na sua carreira.

Podem ser aquelas que indicam o seu trabalho, que abrem portas, que compartilham oportunidades. Podem ser pessoas que você admira e com quem aprende. Podem ser pares de profissão, com quem você troca experiências e repertório.

Quando você entende isso, o jogo muda. O networking deixa de ser um algo pontual e passa a ser um processo contínuo e leve. Passa a fazer parte de um estilo de vida solidário com os seus contatos.

Uma mensagem bem pensada. Um contato retomado depois de algum tempo. O envio de um conteúdo que você sabe que pode ser útil para alguém. Um “lembrei de você quando vi isso”.
São gestos pequenos, mas consistentes.
E, mais importante: são gestos que demonstram interesse.

Existe uma confusão comum entre fazer networking e ser interesseiro.
A pessoa interesseira só aparece quando precisa de algo. Ela não constrói relação, apenas tenta extrair benefício.
Já quem faz networking de verdade cultiva relações antes de precisar delas. Se mantém presente, útil, disponível para contribuir.
Para quem é introvertido, essa pode ser uma mudança importante de perspectiva.

Você não precisa ser a pessoa mais expansiva da sala, nem dominar interações sociais intensas. Mas precisa se fazer presente para ser lembrado.
E ser lembrado não depende de performance social. Depende da consistência nas relações que você escolhe construir.

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por Cris Veronez
crisveronez.lima@gmail.com