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segunda-feira 21 agosto 2017
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Literatura em Gotas

A importância do silêncio

 

Por José Pereira da Silva

 

Se eu fosse médico, receitaria a todos os clientes eventuais:
_ Façam silêncio, de quando em quando. Diariamente, se possível. Para retemperar as forças, espairecer a cabeça e escapar da neurose.
O retorno ao silêncio, à prece, à meditação não é luxo ou romantismo, mas questão de sobrevivência. Urgente, decisiva, vital.
O recolhimento interno nos ensina o quanto de supérfluo carregamos em nossa bagagem pelas andanças da vida. A saúde mental e a paz de espírito passam, necessariamente, pelos caminhos da interiorização.
Para meditar, para descer ao íntimo de nós mesmos, três coisas são importantes, fundamentais: motivação, um pouco de coragem e a decisão de mergulhar.
Além de criar um recanto tranquilo dentro de nossa existência, a meditação nos desvenda, nos revela e radiografa, colocando-nos mais próximos de Deus e dos nossos irmãos. Somente um coração silencioso sabe escutar os outros e captar a palpitação da natureza, da vida, dos fatos, dos homens, do eterno.
Alguns cultivam flores. Prefiro cultivar a quietude interna que me ajuda a superar os percalços do cotidiano. Só no silêncio da prece, do reabastecimento e da reflexão, ganhamos asas para o vôo da libertação. Só no silêncio, que dispensa palavras e rituais, as almas se tocam e dialogam com transparência, sob as bênçãos do Pai.