{"id":64038,"date":"2023-12-01T00:14:54","date_gmt":"2023-12-01T03:14:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodetaubateregiao.com.br\/dt\/?p=64038"},"modified":"2023-11-30T23:49:29","modified_gmt":"2023-12-01T02:49:29","slug":"comilancas-historicas-e-atuais-danca-comigo-nao-e-so-um-movimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodetaubateregiao.com.br\/dt\/comilancas-historicas-e-atuais-danca-comigo-nao-e-so-um-movimento\/","title":{"rendered":"Comilan\u00e7as Hist\u00f3ricas e Atuais &#8211; Dan\u00e7a comigo? N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um movimento"},"content":{"rendered":"<p><strong>I \u2013 Dan\u00e7a<\/strong><br \/>\nA Inglaterra presenciara o nascimento e o p\u00f4r do sol. Os homens, as mulheres, as crian\u00e7as, depois do jantar, sentavam-se diante dos descampados fronteiri\u00e7os \u00e0s casas, para contar hist\u00f3rias passadas durante o dia e observar o luar. Os duendes e os gnomos brincavam nos galhos das \u00e1rvores, penetravam nos corpos dos mortais despertando os chamegos adormecidos.<\/p>\n<p>Amores, confiss\u00f5es assopradas<br \/>\nPelos l\u00e1bios incertos<br \/>\nPaix\u00e3o, Romeus, Julietas,<br \/>\nMulheres e homens que morreram<br \/>\nNa rapidez dos beijos roubados<\/p>\n<p>Os camponeses acendiam tochas, clar\u00e3o misturados com sombras. Todos davam-se as m\u00e3os, trocavam passos, os p\u00e9s iam da esquerda para a direita e vice e versa. Os rodeios mais atrevidos encostavam os corpos no suor do desejo. Assim, lentamente e, ao mesmo tempo, agitadamente, nascia a dan\u00e7a. Parto que quebrava a rotina.<\/p>\n<p>Os alem\u00e3es obedeciam aos movimentos arrastados da lua. O c\u00e9u, as estrelas, o movimento dos astros. Os homens pegavam as m\u00e3os das mulheres e giravam os corpos, movimentavam os p\u00e9s, sentimentos enla\u00e7ados. Os cora\u00e7\u00f5es se colavam movidos pela suavidade da brisa. Os movimentos provocavam declara\u00e7\u00f5es entre os pares, os olhos espantavam-se na saturnidade da noite.<\/p>\n<p>P\u00e9s girando<br \/>\nPara frente e para tr\u00e1s<br \/>\nO corpo amea\u00e7ando e buscando<br \/>\nEleva\u00e7\u00f5es<br \/>\nAs m\u00e3os se apertando e<br \/>\nA dan\u00e7a nascia, sem lembran\u00e7as<br \/>\nDo dia trabalhado de sol a sol<\/p>\n<p>Esses gesto, a\u00e7\u00f5es, poesia e luar, receberam do franc\u00eas o nome danse, e foram se aperfei\u00e7oando de acordo com a m\u00fasica, o ritmo, a coreografia e as reuni\u00f5es sociais. Os franceses deslizaram os p\u00e9s pelo ch\u00e3o, giravam o corpo como os di\u00e1logos astrol\u00f3gicos. Aproveitavam a emo\u00e7\u00e3o para falar de amor, de paix\u00e3o, de segredos jamais contados. Foi no cheiro das flores da noite, que a dan\u00e7a se apresentou de corpo inteiro, como um representante digno do s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p><strong>II \u2013 Brasil<\/strong><br \/>\nNo s\u00e9culo XIX, professores da Corte Portuguesa chegaram ao Brasil trazendo, nos ba\u00fas, cursos de etiqueta social, educa\u00e7\u00e3o comportamental e uma modalidade de dan\u00e7a realizada nos sal\u00f5es, nas festas, no calor do corpo da popula\u00e7\u00e3o perdida nas ruas do Rio.<\/p>\n<p>Aquilo que nos acostumamos a chamar de sociedade forma um mundo paralelo \u00e0s coisas comuns da natureza. A chamada sociedade \u00e9 formada por seres humanos necessitados de uma verdade que est\u00e1 em todos os lugares, a necessidade descontrolada e movida pela vontade de ser amado, isso leva todos os seres a buscar a satisfa\u00e7\u00e3o, sem nunca, por\u00e9m, ter a certeza da satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O amor \u00e9 justamente uma fotografia desse estado, uma sensa\u00e7\u00e3o de estar dividido entre o desejo incontrol\u00e1vel e um medo danado de manter um v\u00ednculo com algu\u00e9m.<\/p>\n<p>O amor sorri no in\u00edcio da caminhada; o amor transforma espa\u00e7os em ninho; o sentimento espont\u00e2neo em decora\u00e7\u00e3o. As folhas arrancadas, a rotina, o cotidiano, o lugar comum, transformam todos os dias em irm\u00e3os g\u00eameos, id\u00eanticos at\u00e9 no apagar de uma vontade.<\/p>\n<p>De repente, no estouro de um vento mais forte, a crise desponta atr\u00e1s de uma cortina, tentando gerar mudan\u00e7as no cotidiano vestido, o aparecimento de uma busca de algo mais, procurando transformar a rotina e a criatividade dos humanos. O que chamamos de crise, nada mais \u00e9 do que a for\u00e7a que tenta tirar todos os homens e mulheres daquilo que estamos condicionados a fazer todos os dias.<\/p>\n<p>No final ou in\u00edcio da estrada o mundo procura o novo, para tirar o viver do autom\u00e1tico.<br \/>\nAssim, e por isso, o filme \u201cDan\u00e7a Comigo?\u201d transforma-se numa esp\u00e9cie de cinema profundo, que mostrasse a luta de um homem procurando reorganizar a vida em sua casa, salvar a sua fam\u00edlia, mudar a pasmaceira social.<\/p>\n<p><strong>III \u2013 Jap\u00e3o \u2013 antecipa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nEm 1996, o cinema japon\u00eas filmou \u201cDan\u00e7a Comigo?\u201d. Havia, na f\u00e1bula japonesa, um homem dedicado ao neg\u00f3cio. Durante o trajeto do seu trabalho para sua casa, v\u00ea uma bela jovem, atrav\u00e9s de uma janela de uma escola de dan\u00e7a.<\/p>\n<p>O seu cora\u00e7\u00e3o se descontrola.<br \/>\nOs seus olhos descobrem outro mundo.<br \/>\nO seu amor acorda de um longo sono.<br \/>\nO personagem chamado Shohei sobe a escadaria da escola e conhece Mai, uma professora de dan\u00e7a. \u00c0 primeira vista e por engano emocional a dan\u00e7arina senti que Shohei poderia ser um sedutor dos mais baratos, um D. Juan embolorado.<\/p>\n<p>Na periferia da narrativa, Shohei era um bailarino famoso, que estava em busca de uma parceira. O treinamento caminhava; surge a proposta de uma competi\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a, organizada por um \u00f3rg\u00e3o estatal. Ele torna-se amigo dos alunos exc\u00eantricos da escola. A dan\u00e7a, no Jap\u00e3o \u00e9 conceituada como uma atividade f\u00fatil para um empres\u00e1rio. Para que o seu eu pudesse realizar ou projetar a sua liberdade, mantinha as suas aulas de dan\u00e7a em segredo.<\/p>\n<p>A sua fam\u00edlia notou a sua transforma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSorriso \u2013 Alegria \u2013 A fala saiu do esconderijo.<\/p>\n<p>A mulher, desconfiada, contrata um detetive para segui-lo. Ela acreditava que a transforma\u00e7\u00e3o poderia ser realizada por uma fada, uma mulher especial. O filme ganhou 57 pr\u00eamios. A cr\u00edtica agradeceu ao cinema japon\u00eas por levar \u00e0s telas a qualidade, a beleza, a paix\u00e3o, o amor familiar que fecha a narrativa.<\/p>\n<p><strong>IV \u2013 Oito anos se passaram<\/strong><br \/>\nOs funcion\u00e1rios do cinema americano escovaram as m\u00e1quinas de filmar, aprontaram uma guinada no cora\u00e7\u00e3o, tendo em mente a refilmagem de \u201cDan\u00e7a Comigo?\u201d.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o do novo e velho longa metragem entrou na vida do diretor Peter Chelson; a cria\u00e7\u00e3o ou recria\u00e7\u00e3o do roteiro, pela sua simplicidade, embora nadando na margem da psican\u00e1lise, foi escrita por Aldrey Wells e Masayrike Suo. O elenco circulava pelos est\u00fadios americanos, pois os pr\u00f3prios filmes os escolhiam. Richard Gere, considerado um ator dotado de carisma, beleza, educa\u00e7\u00e3o, um budista vegetariano. A atriz, Jennifer Lopes, a mulher da janela, fala muito pouco no filme, dan\u00e7a uma m\u00fasica, e n\u00e3o tem envolvimento tem\u00e1tico que v\u00e1 al\u00e9m de sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>A atriz Susan Surandon n\u00e3o foi explorada em toda a sua capacidade interpretativa, j\u00e1 que \u00e9, na atualidade, uma das maiores atrizes americanas. Ela representa a esposa de John Clark, Beverly Clark, uma dona de casa frequente na maior parte dos lares americanos.<\/p>\n<p><strong>V \u2013 A escolha de Chicago<\/strong><br \/>\nO territ\u00f3rio urbano \u00e9 habitado h\u00e1 3.000 a.C. Dizem, n\u00e3o podemos garantir com todas as letras, que um \u00edndio sofrendo de paix\u00e3o por dentro da pele, olhou as \u00e1guas do enorme rio que atravessava os vales, e deu o nome \u00e0 cidade da seguinte forma:<\/p>\n<p>O rio segue em frente, n\u00e3o<br \/>\nOlhando os lugares percorridos.<br \/>\nHavia uma planta que nascia,<br \/>\nVivia, amava. Floria nas margens<br \/>\nDo rio movimentado.<br \/>\nO nome dessa planta era checagou<br \/>\nE Chicago a cidade se tornou.<\/p>\n<p><strong>VI \u2013 Chicago<\/strong><br \/>\nO tempo transformou Chicago numa das cidades mais populares da Am\u00e9rica. Ela andou pelas n\u00favens, produziu ind\u00fastrias de telecomunica\u00e7\u00f5es, aeroporto, assumiu a fun\u00e7\u00e3o de centro vital dos neg\u00f3cios do Tio San. Nas suas noites, os cinemas dan\u00e7am nos tablados, os musicais ressoam no espa\u00e7o a\u00e9reo, os edif\u00edcios chegaram nas asas dos anjos.<\/p>\n<p><strong>VII \u2013 John Clark<\/strong><br \/>\nTrabalha num escrit\u00f3rio de advocacia. H\u00e1 mais de 30 anos, acorda no chamado do amanhecer. D\u00e1 um beijo no rosto da esposa que ama, dos filhos que adora, toma caf\u00e9, veste o terno comum, e sai pela rua de todos os dias exilados, sem encontrar pessoas conhecidas. O movimento esmaga a possibilidade de abalar a rotina.<br \/>\nCaminha at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4, \u00e9 empurrado para dentro do vag\u00e3o. Senta-se ao lado de algu\u00e9m que nunca viu, os olhares se desviam, as vozes est\u00e3o mortas.<\/p>\n<p>A sua mulher, passando pelas mesmas sensa\u00e7\u00f5es, trabalha numa loja de departamentos.<br \/>\nFim do expediente. Metr\u00f4 lotado. Beija sua esposa Beverly, que est\u00e1 de sa\u00edda. A filha se tranca no quarto. Nos hor\u00e1rios das refei\u00e7\u00f5es, fala-se muito pouco, a Am\u00e9rica n\u00e3o permite bate e volta na fam\u00edlia. A sua fam\u00edlia era a fotografia das casas americanas.<\/p>\n<p><strong>VIII \u2013 As luzes \u2013 dentro da terra<\/strong><br \/>\nUma tarde, de dentro do metro, observa as letras iluminadas apresentando-se como uma escola de dan\u00e7a de sal\u00e3o. Na \u00faltima janela surge a figura est\u00e1tica de uma linda mulher chamada Paulina.<\/p>\n<p>Express\u00e3o embalada pela dist\u00e2ncia.<br \/>\nSem movimento, um porto dentro do mar.<br \/>\nA estampa da atriz Jennifer Lopes<br \/>\nMoldada pelas m\u00e3os que ajeitaram o mundo.<\/p>\n<p>Na segunda vez, sai do metro, entra na escola e faz sua matr\u00edcula. O sorriso aberto muda a seriedade e a olheira, o molejo do corpo, a prepara\u00e7\u00e3o agitada remodela o seu f\u00edsico, n\u00e3o conta para os amigos de trabalho nem para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O seu comportamento em casa parece uma mudan\u00e7a de canal de televis\u00e3o. A mulher desconfia, coloca em seu encal\u00e7o, um investigador particular.<\/p>\n<p>Nas coisas da terra n\u00e3o existem linhas tortas. Ele participa de uma competi\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a, a mulher e a filha entram escondidas. Na apresenta\u00e7\u00e3o da valsa, sua filha n\u00e3o resiste e grita: \u201c\u00c9 isso a\u00ed, pai\u201d.<\/p>\n<p><strong>IX \u2013 Pauline \u2013 fechamento<\/strong><br \/>\nEla vai dan\u00e7ar na Inglaterra, mas solicita que, no brasil, ele, John dance uma \u00faltima m\u00fasica com ela. Ele, no vendaval das mudan\u00e7as conta a esposa.<\/p>\n<p><strong>X -A reparti\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nJohn aceita a dan\u00e7a, a amizade, a admira\u00e7\u00e3o. Ele veste um smok, consegue uma rosa vermelha, daquelas que brotam nos jardins asi\u00e1ticos a cinco mil, simbolizando amor, paix\u00e3o, felicidade, respeito, adora\u00e7\u00e3o e vai em dire\u00e7\u00e3o a loja que a esposa trabalha. Ele, a rosa, a vida, o sorriso. Essa cena foi, na opini\u00e3o da cr\u00edtica, a mais linda imagem do cinema.<\/p>\n<p>O beijo e o susto<br \/>\nO abra\u00e7o e a rosa<br \/>\nOs passos de uma dan\u00e7a<br \/>\nSem classifica\u00e7\u00e3o determinada<br \/>\nE o tema do filme est\u00e1<br \/>\nNa atitude, no sentimento,<br \/>\nNo romper a rotina,<br \/>\nNo giro que a vida pode dar<br \/>\n\u201cEu te amo\u201d<br \/>\n\u00c9 a nova proposta para um planeta que aprendeu a fazer um s\u00f3 movimento.<\/p>\n<p><strong>Receita<\/strong><\/p>\n<p><strong>CHEESECAKE VEGAN DE LIM\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ingredientes:<\/strong> 300 g de bolachas digestivas vegan; 125 g manteiga vegan; 300 g filad\u00e9lfia vegan; 60 g a\u00e7\u00facar em p\u00f3; 1 colher ch\u00e1 extrato baunilha; Sumo de 1 ou 2 lim\u00f5es; 250 ml natas de soja para bater; Casca de 1 lim\u00e3o ralado, para decorar<\/p>\n<p><strong>Prepara\u00e7\u00e3o:<\/strong> Triture as bolachas juntamente com a manteiga vegan, at\u00e9 obter um granulado uniforme. Espalhe-o numa base para tortas e pressione-o at\u00e9 que a camada fique lisa. Num recipiente, bata o queijo-creme vegan, o a\u00e7\u00facar em p\u00f3, o extrato de baunilha, e o sumo de lim\u00e3o at\u00e9 obter uma mistura fofa. Noutro recipiente, batas as natas de soja at\u00e9 ficarem bem espessas, adicionando-as de seguida \u00e0 mistura de queijo. Coloque a mistura sobre a base de bolacha e leve a geladeira durante cerca de 4 horas, ou durante a noite. Pode tamb\u00e9m levar ao congelador durante cerca de 2 horas, se necessitar do seu cheesecake pronto mais rapidamente. Polvilhe toda a superf\u00edcie cremosa com a casca de lim\u00e3o ralado, e est\u00e1 pronto a servir. Bom apetite!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">por <strong>Adriana Padoan<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I \u2013 Dan\u00e7a A Inglaterra presenciara o nascimento e o p\u00f4r do sol. 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